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Aéreas cancelam voos para Venezuela com nova fase de operação dos EUA, diz agência

Aéreas cancelam voos para Venezuela com nova fase de operação dos EUA, diz agência

23/11/2025 às 10h13
Por: Redação Fonte: Reuters
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Aéreas cancelam voos para Venezuela com nova fase de operação dos EUA, diz agência

Aéreas cancelam voos para Venezuela com nova fase de operação dos EUA, diz agência.

 

Alerta de segurança americano provoca cancelamentos enquanto Washington avalia intensificar ações contra o governo de Nicolás Maduro.

Diversas companhias aéreas internacionais cancelaram seus voos partindo da Venezuela neste sábado, um dia após a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) alertar grandes empresas do setor sobre uma “situação potencialmente perigosa” ao sobrevoar o país, publicou a Reuters.

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Segundo quatro autoridades americanas ouvidas pela agência, a medida ocorre enquanto os EUA se preparam para lançar, nos próximos dias, uma nova fase de operações relacionadas a Caracas, intensificando a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.

Neste sábado, a brasileira Gol, a colombiana Avianca e a TAP Air Portugal cancelaram voos com partida em Caracas, segundo o Flightradar24 e o site oficial do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía. A espanhola Iberia anunciou que suspenderá suas operações para Caracas a partir de segunda-feira, até novo aviso. Já a Copa Airlines e a Wingo mantiveram seus voos neste sábado.

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A Aeronáutica Civil da Colômbia afirmou, em comunicado, que há “riscos potenciais” para aeronaves na área de Maiquetía devido à deterioração das condições de segurança e ao aumento da atividade militar. A TAP disse que tomou a decisão de cancelar voos previstos para sábado e para a próxima terça-feira a partir de informações emitidas pelas autoridades de aviação dos EUA, que apontam falta de garantias de segurança no espaço aéreo venezuelano. A Iberia informou que avaliará a situação para determinar quando retomará as operações.

O momento exato ou o alcance das novas operações ainda não estão claros. Tampouco se sabe se o presidente americano, Donald Trump, tomou uma decisão final sobre agir. Informações sobre uma possível ação dos EUA têm se multiplicado nas últimas semanas, à medida que militares americanos enviam forças ao Caribe e em meio ao agravamento das relações com a Venezuela. Ainda à agência Reuters, duas autoridades disseram que operações clandestinas provavelmente seriam a primeira etapa da nova ação contra Maduro.

“O presidente Trump está preparado para usar todos os elementos do poder americano para impedir que drogas inundem nosso país e para levar os responsáveis à Justiça”, afirmou o funcionário, que também falou sob condição de anonimato dada a sensibilidade do tema.

Washington vem avaliando opções de pressão sobre o presidente Nicolás Maduro, a quem acusa de envolvimento no tráfico de drogas — alegação que o venezuelano nega. Segundo duas das autoridades ouvidas pela Reuters, as alternativas analisadas incluem a possibilidade de tentar derrubá-lo. Em Caracas, Maduro afirma que o objetivo de Trump é removê-lo do poder e que a população e os militares resistiriam a qualquer tentativa nesse sentido.

Aumento das tensões

O aumento das tensões ocorre após meses de reforço militar dos EUA no Caribe. O porta-aviões Gerald R. Ford, o maior da Marinha americana, chegou à região em 16 de novembro, acompanhado de seu grupo de ataque, somando-se a pelo menos outros sete navios de guerra, um submarino nuclear e aeronaves F-35.

As forças norte-americanas têm conduzido operações de combate ao narcotráfico, com ao menos 21 ataques contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico desde setembro, que resultaram na morte de ao menos 83 pessoas — ações criticadas por organizações de direitos humanos como execuções extrajudiciais ilegais.

A administração Trump planeja ainda, segundo autoridades, designar o Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira por seu suposto papel no envio de drogas ilegais aos Estados Unidos.

Washington acusa Maduro de liderar o grupo, o que ele nega. A futura designação, disse o secretário de Defesa Pete Hegseth, “abre uma série de novas opções” para o governo americano.

Enquanto isso, conversas entre Caracas e Washington seguem ocorrendo, embora não esteja claro se podem alterar o ritmo ou o alcance das ações previstas. Em agosto, os EUA dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro.

Em meio ao impasse, o governo venezuelano, cujo aparato militar enfrenta falta de treinamento, baixos salários e equipamentos deteriorados, tem considerado estratégias alternativas caso haja uma invasão dos EUA. Documentos e fontes citados pela Reuters apontam a preparação de uma resposta ao estilo guerrilheiro, chamada pelo governo de “resistência prolongada”, que envolveria pequenas unidades militares distribuídas por mais de 280 localidades realizando atos de sabotagem e outras táticas irregulares.

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