
Renato Bolsonaro afirmou que a decisão do STF carece de fundamento e disse que a prisão preventiva do irmão foi motivada por razões políticas.
O irmão de Jair Bolsonaro (PL), Renato Bolsonaro criticou publicamente a prisão preventiva do ex-presidente, detido pela Polícia Federal na manhã deste sábado (22) em Brasília.
Em nota divulgada horas após a operação, ele classificou a decisão como “absurda” e afirmou que a medida estaria “orquestrada” para ocorrer no dia 22, referência direta ao número do PL nas urnas.
“Bolsonaro já foi condenado sem motivo e agora é preso sem motivo, com o processo ainda em tramitação. Ontem mesmo a defesa pediu para meu irmão continuar na sua residência devido a questões de saúde”, disse o irmão do ex-presidente.
O pré-candidato à Câmara dos Deputados em 2026 também reafirmou os apelos da oposição pela votação da anistia que beneficiaria o ex-presidente.
“O Brasil não pode aceitar essa ruptura gradual da nossa liberdade. Fica ainda mais urgente que a Câmara vote pela anistia total e irrestrita e que o Senado coloque um freio nesses absurdos cometidos pelo STF”, completou.
O ex-presidente foi levado pela PF para a Superintendência em Brasília, onde ficará em uma sala de Estado, após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, converter a prisão domiciliar em preventiva.
A ordem foi motivada por dois fatores apontados pelo ministro: a tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica, registrada às 0h08, e a convocação de uma vigília feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na véspera.
Para Moraes, o chamado à manifestação poderia criar aglomeração no entorno da residência do ex-presidente, gerar tumulto e comprometer a fiscalização policial, cenário que, segundo ele, facilitaria uma eventual fuga. O ministro destacou ainda que a quebra do monitoramento eletrônico reforçou a necessidade de prisão imediata.
Antes da operação, Bolsonaro cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto, em razão de outro inquérito. A defesa havia solicitado que ele permanecesse em casa por motivos de saúde, afirmando que o ex-presidente não teria condições de permanecer em um presídio comum.
O pedido foi rejeitado pelo STF, mas Moraes determinou que Bolsonaro receba acompanhamento médico “em tempo integral” e que sua equipe de saúde tenha acesso à PF sem necessidade de autorização prévia.
Renato, que é filiado ao PL e pretende disputar uma cadeira na Câmara em 2026, acusou o ministro de extrapolar sua função e restringir direitos de manifestação. Ele também retomou críticas ao Supremo pela condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão no caso da tentativa de golpe.
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