
Nascer de novo, essa é a frase que representa as histórias de Fernanda Almeida, 46 anos, e Maria Leci Costa, 62 anos, que tiveram um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi) e foram atendidas no Hospital Municipal de Marabá (HMM) dentro de um protocolo clínico específico para o atendimento rápido e eficaz de pacientes com AVCi.
Intitulado “Tempo é Cérebro”, o protocolo tem como objetivo principal garantir a realização segura e oportuna da trombólise — tratamento medicamentoso que dissolve o coágulo causador do AVC — dentro da janela ideal de até 4h30 do início dos sintomas.
A adoção desse protocolo visa padronizar a conduta médica e reduzir complicações, sequelas e até a mortalidade associada ao AVC. Entre os resultados esperados, destacam-se a melhora clínica dos pacientes, redução do tempo de internação, menor necessidade de reabilitação intensiva e maior chance de retorno à vida normal.
Foi por causa da utilização desse protocolo que Fernanda e Maria Leci não tiveram sequelas e hoje levam uma vida normal. Tudo começou em um domingo, 28 de maio deste ano, por volta de meio-dia, quando a empresária Fernanda começou a sentir os primeiros sintomas: uma dor muito forte no peito, os batimentos cardíacos apontados no relógio inteligente eram de 144 indo a 150. Ela achou que estava infartando.
“Eu falei: algo está estranho. E eu mandei mensagem para uma amiga que é médica e ela falou: não, não está bom, vai para o hospital. Ainda pensei em não ir. Domingo, deve estar lotado aquilo lá, vou em um médico durante a semana. Ela falou – não, não, vai para o médico. Fiquei com medo. E depois de tomar banho, pedi para o meu marido me levar para o hospital. Já tinha uma hora que eu estava sentindo os sintomas. E eu comecei a sentir que a perna e o braço estavam pesados. Quando eu fui entrar no carro, eu já quase não conseguia colocar a perna esquerda dentro do carro”, relata Fernanda ainda lembrando daqueles momentos angustiantes.


Já no hospital, enquanto estava aguardando a triagem, o coração de Fernanda ficou disparado e ela sentiu como se estivesse grande. “E eu falei meu Deus, o que está acontecendo? Quando eu passei pela triagem, a minha pressão estava 19. Nunca tive pressão alta na minha vida. E a enfermeira falou que não era infarto, aí eu fui para a emergência e o médico me olhou, fez o teste de força e falou: você está tendo um AVC. Nisso a minha língua já estava enrolando, quando eu fui conversar com ele, eu vi que eu não falava direito”.
Depois de analisar as imagens dos exames, o médico da emergência chamou o médico da UCE e os dois conversaram para decidir o que fazer. “Já tinha 3 horas que eu estava sentindo os primeiros sintomas, a perna pesada e senti o braço como se fosse endurecendo. Aí eles fizeram um eletro do coração. O médico disse: olha, nós temos uma janela para te dar a medicação, que é 4 horas e 30 minutos, então nós temos 15 minutos para te dar essa medicação e eu preciso que você assine esse termo. Como você está consciente, você pode assinar, eu vou te explicar tudo que tem nesse termo”, narra a paciente.
Fernanda foi para a UCE e a medicação foi ministrada. Ela conta que apenas sentiu uma dor muito forte e que ainda sente até hoje. “Eu fiquei internada aqui no hospital quatro ou cinco dias. Na UCE eu fiquei de um dia para o outro. Na segunda-feira eu saí, fui para a clínica. Eu saí daqui do hospital sem nenhuma sequela. Eu não fiquei com nenhuma sequela do AVC, porque graças a Deus foi dada essa medicação no tempo, na janela certa. Que foi isso que os médicos me falaram”, lembra ela.
Após ter tido alta, Fernanda saiu com os encaminhamentos para o cardiologista e neurologista e faz acompanhamento até hoje no ambulatório de uma faculdade. “Saí daqui com todos os encaminhamentos, pedidos de exames e todas as medicações. Já saí daqui do hospital tomando. Eu falei: meu Deus, obrigada, porque imagina eu chegar aqui, sentir todos esses sintomas e não ter essa medicação aqui no hospital”, indaga a empresária agradecendo emocionada a Deus e aos médicos pelo olhar sensível e a iniciativa de salvá-la.
Uma história que também emociona é a de Maria Leci, que teve um AVC há quase um mês. Após passar o final de semana na chácara de amigos, ela foi entrar em casa e não sentiu a perna. Viu que havia algo diferente e imaginou logo que se tratava de um AVC.


“Eu fui para a cozinha tomar café. Quando eu peguei a xícara de café, ela virou aqui no meu peito. Assim que ela virou no meu peito, aí eu falei assim: quero ir para o hospital. Minha família falou para eu ir deitar. Então repeti: eu quero ir para o hospital porque eu não estou me sentindo bem. Aí eu liguei para o meu amigo que trabalha de Uber, pedi para ele me trazer aqui no regional ou um hospital, um postinho em qualquer lugar que fosse. Ele disse que não estava trabalhando. Então liguei para o meu sobrinho e falei: vem correndo, que eu não estou me sentindo bem e tenho certeza que isso é AVC”, relata a dona de casa.
Quando o sobrinho chegou, a colocou no carro e a levou para o postinho mais próximo da sua casa. Quando chegou lá, logo constataram que realmente se tratava de um AVC e chamaram a ambulância. Dali, a encaminharam para o hospital municipal, onde ela foi atendida com muita rapidez. “Foi um atendimento maravilhoso, fui muito bem atendida. As médicas e enfermeiras, todos foram maravilhosos”, elogia.
Maria Leci estava consciente e vendo tudo que estava acontecendo. Ela narra que o momento mais difícil foi quando pediram para a filha assinar o termo para fazerem a medicação. “Ela falou assim: deixa eu ligar para minha outra irmã. Aí ele falou que não tinha tempo para isso, que tinha que correr contra o tempo. Na hora eu chorei. Minha filha ficou fora da sala e eu já entrei para a UCE. Passei cinco dias internada e o tratamento foi muito bom. Não fiquei com sequela nenhuma”, informa.
Hoje a dona de casa faz acompanhamento no Centro de Especialidades Integradas (CEI) com médico cardiologista. “Vou fazer uns exames agora do coração, mais dois que o médico pediu e levar para o médico. Vou fazer acompanhamento durante três meses e tomar remédio para a pressão, porque a pressão deu alta”, comenta.
Maria Leci agradece o atendimento ágil dos médicos e a sensibilidade em enxergar o seu problema e tomar as providências necessárias. “Se não fossem esses médicos, não sei o que seria de mim. Desde lá, do postinho, quando eles chamaram a ambulância. Meu sobrinho queria agradecer um enfermeiro que me atendeu lá na hora. Se não fosse eles e Deus eu não estaria viva hoje”, comemora.
Como funciona o protocolo
O protocolo de trombólise já era realizado em outros hospitais em pacientes com AVC isquêmico. No caso do Hospital Municipal, o protocolo foi implantado em maio. “Os médicos agora têm a capacidade de identificar se o paciente tem ou não tem indicação desse protocolo. É realizada uma tomografia e são avaliados uma série de critérios para que o paciente seja eletivo ou não à realização da trombólise. Diante disso, a gente também tem um tempo. O paciente necessariamente tem que vir até 4 horas e meia do início dos sintomas até o momento em que ele inicia o processo da trombólise”, explica o diretor clínico do HMM, Isaac Ramos.


O médico ainda explica que esse protocolo é a indicação de uma medicação que consegue dissolver esse trombo que acontece no sistema nervoso central. “Muitas vezes eu consigo reverter muitos sintomas ou deixar o paciente com menos sequelas possível. Então a base do protocolo é essa. E hoje com a ideia da ampliação da Unidade de Cuidados Especiais (UCE), a gente tem muito mais aparato de medicações e a instituição dos protocolos, assim como a própria estrutura física e de fluxos no hospital melhorados. A medicação utilizada no protocolo é ‘alteplase’. Essa medicação hoje faz parte do nosso protocolo de medicações padrão do hospital”, informa.
Hoje já foram mais de 60 pessoas atendidas e que conseguem viver suas vidas normalmente, sem sequelas. “O paciente agora tem a capacidade de viver a sua vida completamente, seguindo ambulatorialmente, sem restrição ao leito, sem despender grandes gastos para a família, que são desgaste emocional, físico, espiritual, tudo que você possa imaginar. E a gente tem tido excelentes consequências dessa mudança”, enaltece o médico.
Quando o paciente identifica algum déficit, falta de força ou falta de sensibilidade em alguma parte do corpo, deve procurar o atendimento médico, seja por via espontânea ou pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O médico orienta que a pessoa identifique os sintomas e faça três testes. O primeiro deles é sorrir, o segundo falar o nome e o terceiro é levantar as duas mãos.



“Então, se a pessoa tiver uma falta de força, um formigamento, faça os testes e se, em alguma dessas três etapas, o paciente não tiver algum déficit ou se tiver algum problema ao realizar esses três comandos, ligue imediatamente para o 192 ou pegue esse paciente e traga para o Hospital Municipal, que é o único local porta aberta, que faz trombólise aqui no município e pelo SUS. Então, a orientação é essa, venha por meios próprios ou chame o Samu”, instrui.
Isaac ainda ressalta a importância do SUS e de uma gestão que trabalha em conjunto com a gestão do hospital. “A gente está falando de uma medicação cuja ampola custa cerca de R$ 6.000,00. Nós precisamos em média de duas ampolas para um paciente em torno de 70 quilos. E isso é disponibilizado gratuitamente aqui, com protocolo, com avaliação, avaliação periódica durante toda a aplicação da medicação. Toda a equipe dá esse suporte e a medicação é dada gratuitamente. O hospital caminha juntamente com a gestão e investe no que realmente faz a diferença, muda o destino das pessoas”.
A diretora administrativa do HMM, Lícia Souza, teve uma experiência pessoal com o AVC quando seu pai teve o mesmo problema. Ele morava em outro município e não teve acesso a esse tratamento.
“Infelizmente ele evoluiu a óbito. Então a trombólise sempre foi algo que eu busquei implantar nos serviços de saúde onde eu estive para garantir realmente uma assistência que era possível e a gente, nesta terapia, pode garantir tanto a sobrevida do paciente como a redução de sequelas se aplicada em tempo oportuno, então eu tenho particularmente uma motivação que foi o que me fez provocar a implantação desse protocolo”, argumenta.


Ela ainda afirma que a implementação do protocolo para AVC no Hospital Municipal representa um marco na qualificação da linha de cuidar do paciente neurológico.
“O protocolo garante agilidade no atendimento, segurança e a redução de sequelas graves por meio do procedimento trombolítico em tempo oportuno. Cada minuto conta para salvar vidas e preservar funções vitais. Então, dada a observação do volumoso número crescente de pacientes com estes quadros que dão entrada na emergência, a gente viu a necessidade de padronizar e melhorar os nossos serviços”, encerra a diretora.
Texto: Fabiana Alves
Fotos: Sara Lopes
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