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Aposta de Buffett no Google vem duas décadas após fundadores dizerem que IPO foi “inspirado” pelo bilionário

Aposta de Buffett no Google vem duas décadas após fundadores dizerem que IPO foi “inspirado” pelo bilionário

18/11/2025 às 08h33
Por: Redação Fonte: Times Brasil
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Johannes EISELE/AFP Buffett deixará o cargo de CEO no fim do ano; Greg Abel assumirá o comando e escreverá as cartas a partir de 2026.
Johannes EISELE/AFP Buffett deixará o cargo de CEO no fim do ano; Greg Abel assumirá o comando e escreverá as cartas a partir de 2026.

Aposta de Buffett no Google vem duas décadas após fundadores dizerem que IPO foi “inspirado” pelo bilionário.

 

Há 21 anos, no prospecto do IPO do Google, os fundadores Larry Page e Sergey Brin fizeram uma menção incomum para uma empresa de tecnologia em início de trajetória: destacaram Warren Buffett como uma das principais influências na forma como pretendiam dialogar com os investidores.

A carta incluída no documento, intitulada “Um manual do proprietário”, trazia uma nota explicativa afirmando: “Muito disso foi inspirado pelos ensaios de Warren Buffett em seus relatórios anuais e seu ‘Manual do Proprietário’ para os acionistas da Berkshire Hathaway.”

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Duas décadas depois, a admiração ganha um novo capítulo. A Berkshire Hathaway revelou na sexta-feira (14) ter adquirido uma participação de cerca de US$ 4,3 bilhões na Alphabet, colocando a controladora do Google entre as dez maiores posições do conglomerado. A notícia levou as ações da Alphabet a subirem 3% nesta segunda-feira (17) e marca uma das apostas tecnológicas mais relevantes da Berkshire em muitos anos — a maior delas continua sendo a Apple.

A movimentação chama atenção porque a holding sempre manteve cautela em relação a empresas de crescimento acelerado no setor de tecnologia. É também a primeira vez que se confirma uma posição direta da Berkshire no Google. Buffett, hoje com 95 anos, deixará a chefia da empresa no fim de 2025, quando Greg Abel assumirá o comando.

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O interesse tardio pelo Google não é surpresa. Em 2017, o próprio Buffett admitiu que lamentava não ter comprado ações anos antes, quando a Geico — seguradora controlada pela Berkshire — já destinava grandes quantias em publicidade para a plataforma. Ele também reconheceu ter perdido o momento da Amazon, investimento que só ocorreu em 2019 e que hoje vale aproximadamente US$ 2,2 bilhões.

A Alphabet acumula valorização de cerca de 50% em 2025, negociando perto da máxima histórica alcançada na semana passada. No terceiro trimestre, registrou seu primeiro período com US$ 100 bilhões em receita, impulsionada pelo crescimento da divisão de nuvem, que reúne os serviços de IA da companhia, mantém um backlog de US$ 155 bilhões e estreou uma nova linha de chips.

Mesmo com essa performance, a empresa ainda negocia a múltiplos menores do que outros gigantes da IA: aproximadamente 26 vezes o lucro projetado para o próximo ano, contra 32 da Microsoft, 51 da Broadcom e 42 da Nvidia, segundo dados da FactSet.

No prospecto do IPO, Page e Brin citaram Buffett em outros trechos, inclusive ao preparar os investidores para períodos com resultados irregulares. Eles escreveram: “Em nossa opinião, pressões externas muitas vezes tentam levar empresas a sacrificar oportunidades de longo prazo para atender às expectativas trimestrais.”

E recorreram às palavras de Buffett: “Nós não vamos ‘suavizar’ resultados trimestrais ou anuais: se os números de lucro forem irregulares quando chegarem à sede, eles serão irregulares quando chegarem a você.”

Ao defender a estrutura de ações com duas classes — que garantia maior poder de voto aos fundadores — eles também recorreram ao exemplo de empresas como The New York Times, Washington Post e Dow Jones, além da própria Berkshire: “Observadores da mídia apontaram que a propriedade com duas classes permitiu que essas empresas se concentrassem em seus interesses centrais e de longo prazo, apesar das flutuações nos resultados trimestrais.”

“A Berkshire Hathaway implementou uma estrutura de duas classes pelos mesmos motivos”, concluíram.

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