Friday, 24 de April de 2026
24°

Tempo nublado

Caruaru, PE

Economia Politica

Eduardo Bolsonaro vira réu no STF por tentar interferir no processo do pai

Eduardo Bolsonaro vira réu no STF por tentar interferir no processo do pai

14/11/2025 às 21h17
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
Compartilhe:
Eduardo Bolsonaro vira réu no STF por tentar interferir no processo do pai

Eduardo Bolsonaro vira réu no STF por tentar interferir no processo do pai.

 

Ministro afirma que lobby internacional buscou intimidar o STF e favorecer Jair Bolsonaro.

A Primeira Turma do STF formou maioria nesta sexta-feira (14) para aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República e abrir ação penal contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Continua após a publicidade
Anúncio

Ele passa a responder formalmente pelo crime de coação no curso do processo, acusado de atuar nos Estados Unidos para tentar interferir no julgamento que levou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, à condenação por tentativa de golpe de Estado.

Votaram pelo recebimento da denúncia os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino e Cristiano Zanin. A análise ocorre no plenário virtual e segue até 25 de novembro, salvo pedido de vista ou destaque que leve o caso ao julgamento presencial.

Continua após a publicidade
Anúncio

Lobby por sanções

Segundo a PGR, Eduardo Bolsonaro articulou, ao lado do jornalista Paulo Figueiredo, uma estratégia de pressão externa sobre o Judiciário brasileiro, buscando influenciar o resultado do processo contra o ex-presidente.

A acusação aponta que o deputado manteve contatos políticos nos EUA para incentivar sanções contra ministros do STF e contra o Brasil, medidas que incluíam suspensão de vistos, tarifas de exportação e pedidos de aplicação da Lei Magnitsky, que impõe punições a autoridades estrangeiras.

Moraes, que votou pela abertura da ação penal, afirmou que a “grave ameaça” se materializou na obtenção dessas sanções. O ministro lembrou que seu visto foi suspenso pelo governo norte-americano em julho de 2025, no mesmo dia em que Eduardo escreveu nas redes sociais: “tem muito mais por vir”, mensagem interpretada como pressão direta sobre membros da Corte.

Constranger o julgamento

Para o relator, a atuação de Eduardo não se tratou de manifestação política, mas de um esforço coordenado para intimidar o STF e alterar o curso do julgamento da tentativa de golpe.

Segundo Moraes, o deputado buscou criar um ambiente de intimidação “para absolver Jair Bolsonaro”, usando articulações internacionais como ameaça à soberania e às autoridades responsáveis pelo processo.

A denúncia também destaca que Eduardo defendia publicamente “anistia ampla, geral e irrestrita” para os investigados pelos atos de 8 de janeiro, o que, segundo o relator, reforçava as pressões sobre o Supremo.

Defesa rejeitada

Representado pela Defensoria Pública da União, Eduardo alegou que suas falas seriam opiniões políticas sem ameaça concreta, mas Moraes rejeitou os argumentos. O ministro afirmou que o deputado “evadiu-se para os Estados Unidos”, sem endereço conhecido, justificando a citação por edital, e afastou alegações de impedimento.

Com a maioria formada, o STF abrirá ação penal. Eduardo Bolsonaro passará a responder como réu por coação no curso do processo, crime imputado a quem tenta influenciar, por ameaça ou pressão, o trabalho de autoridades responsáveis por investigações ou julgamentos.

O julgamento segue no plenário virtual até o dia 25. Caso não haja mudanças, Eduardo estará oficialmente submetido à ação penal que analisará se suas articulações internacionais configuraram tentativa de obstruir o processo que condenou Jair Bolsonaro por liderar a trama golpista.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários