Dois carros de luxo do humorista e influenciador Nego Di, avaliados em mais de R$ 500 mil, vão a leilão nesta quarta-feira (5). A venda foi determinada pela Justiça do Rio Grande do Sul e faz parte de um processo que investiga o influenciador por estelionato, lavagem de dinheiro e uso de documento falso.
Os veículos foram apreendidos e colocados à venda em uma ação de alienação antecipada, recurso usado pela Justiça para evitar que bens apreendidos percam valor enquanto o processo segue em andamento.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), “a finalidade, de acordo com o Juízo, é preservar o valor dos bens, uma vez que é notória a desvalorização dos veículos decorrente do trâmite processual, sofrendo a depreciação natural do tempo e, também, da precariedade da manutenção”. As informações são do portal g1.
Leilão será online
O leilão acontece às 14h, de forma virtual, por meio da plataforma Trevisan Leilões. Para participar, é preciso fazer um cadastro prévio no site.
Os veículos serão ofertados em duas etapas:
Quem desejar parcelar precisa enviar a proposta antes do início do evento. No entanto, se houver alguém disposto a pagar à vista, essa pessoa terá preferência na compra.
Os veículos à venda
Lote 1
Lote 2
Mais informações estão disponíveis no site oficial da Trevisan Leilões.
Entenda o caso
Nego Di e a companheira, Gabriela Vicente de Sousa, são investigados por envolvimento em um esquema de rifas virtuais que teria movimentado mais de R$ 2,5 milhões. De acordo com o Ministério Público, o influenciador teria fraudado o sorteio de um Porsche avaliado em mais de R$ 500 mil, usando uma suposta vencedora que não existia.
Em vídeo, Nego Di chegou a mostrar tentativas de contato com a “ganhadora”, mas o número de telefone usado por ela estava cadastrado em dez cartões diferentes, o que levantou suspeitas de que a pessoa seria fictícia.
O MP também afirma que parte do dinheiro arrecadado foi desviado por meio de contas e empresas de terceiros, em um esquema para ocultar a origem dos valores.
Outra condenação
Além da investigação das rifas, o humorista já foi condenado em outro processo por estelionato, ligado a uma loja virtual chamada Tadizuera, que vendia produtos eletrônicos e não fazia as entregas.
Em junho deste ano, ele e o sócio Anderson Bonetti foram condenados a 11 anos e 8 meses de prisão. Mesmo assim, o influenciador está em liberdade provisória desde novembro de 2024, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que impôs medidas cautelares, como proibição de usar redes sociais, entrega do passaporte e comparecimento periódico à Justiça.
Ele também foi punido por divulgar informações falsas sobre as enchentes em Canoas e Porto Alegre, sendo obrigado a apagar as publicações e proibido de repetir as declarações, sob pena de multa de R$ 100 mil.
O que diz o TJRS
“A alienação antecipada é uma garantia não só do Estado, mas também do acusado, já que em caso de eventual absolvição ou prescrição, o denunciado receberá o valor do bem corrigido; e em caso de condenação, o numerário será destinado em favor do Estado. Assim, independentemente de quem seja, ao final, o destinatário do bem, não receberá um bem depreciado”, diz o Tribunal de Justiça do RS.