

Casa Memorial Régis Pacheco
Quem transita pela região central de Vitória da Conquista, partindo da Praça Sá Barreto, passando pela Tancredo Neves e indo em direção ao Monumento ao Índio, depara-se com diversas construções que fazem parte da história e da identidade de Vitória da Conquista. São casarões que datam do final do século XIX ao início do século XX, que serviram de morada para grandes personalidades que marcaram a vida do município, ou são locais que tiveram importante papel político e social, e hoje seguem conservando a história dos 185 anos de emancipação política da cidade.
Recentemente, o Governo Municipal tem aumentado os esforços para a preservação e valorização destes locais, garantindo que não apenas a estrutura física seja cuidado, mas que também os seus valores sociais e culturais sejam mantidos com a circulação de pessoas por esses espaços, aproveitando-os para aprender e viver a história da cidade. Nesse sentido, foi histórica a decisão do Conselho Municipal de Cultura, no mês de outubro, de aprovar o tombamento de cinco imóveis históricos de Vitória da Conquista, entre eles, a Prefeitura Municipal e o antigo prédio da Câmara de Vereadores.
Assessor Especial de Cultura, Alecxandre Magno destaca o papel dos casarões como guardiões da memória e identidade de Conquista. “Cada um deles conta um pedaço da história do nosso povo, das famílias que ajudaram a construir a cidade e das transformações que marcaram o nosso desenvolvimento. Preservar esses casarões é preservar a nossa cultura, é garantir que as futuras gerações possam conhecer e se orgulhar da riqueza arquitetônica, artística e simbólica que faz de Conquista uma cidade única na Bahia e no Brasil”.
O prédio da Prefeitura Municipal, por exemplo, foi construído em 1921. Inicialmente, funcionou como Quartel da Polícia Militar da cidade. Só passou a ser sede da Prefeitura em 1962, durante o mandato de Gerson Gusmão Sales, 28º prefeito de Vitória da Conquista. Recentemente, o paço municipal foi reformado levando em conta a manutenção da identidade do prédio histórico, que também está em fase de estudos para o tombamento.
Segundo o historiador e jornalista Fábio Sena, a primeira questão básica quando se pensa em salvaguardar o patrimônio edificado, que são patrimônios culturais, é, antes de mais nada, preservar a memória da cidade. “Preservar é para que nós não vivamos em uma cidade que nos seja totalmente estranha. Uma cidade que se modifique tanto que você não se reconheça nela. Um dos aspectos da memória é gerar identidade, reconhecimento e pertencimento”.
Para Fábio, a preocupação diz respeito não apenas a preservar os patrimônios arquitetônicos, mas também os bens culturais intangíveis, de natureza imaterial, pois eles asseguram que as pessoas tenham uma identidade com o lugar em que vivem. “Isso tem a ver com qualidade de vida, com um reconhecimento comunitário, porque não é só algo que se precisa ver, é algo que precisa viver”.
A Casa Memorial Governador Régis Pacheco , ao lado da Catedral Metropolitana, é um outro símbolo arquitetônico e histórico de Vitória da Conquista. O espaço, tombado pelo Decreto nº 8.596/96, guarda a memória de Régis Pacheco, que também exerceu mandatos como prefeito de Vitória da Conquista, deputado federal e governador da Bahia. A Casa já foi sede do Conservatório Municipal de Música, formando diversos músicos no município. Há ainda um imponente acervo de obras que retratam a história da cidade, como quadros com todos os intendentes e prefeitos que já ocuparam o cargo de chefe do Executivo Municipal.
Segundo Fábio Sena, a preocupação com salvaguardar os patrimônios arquitetônicos também está relacionada com a qualidade de vida das pessoas e com um reconhecimento comunitário. “A partir da preservação, a gente consegue conhecer como pensavam nossos antepassados, qual o tipo de preocupação urbana que eles tinham ou que não tinham, quais eram as preocupações sanitárias, as técnicas construtivas da época, se eram avançadas para o período. Assim podemos reconhecer quem produziu, quem teve a força política para fazê-lo, o reconhecimento de toda uma comunidade que se organizou. Quando você preserva um patrimônio edificado, você está tratando de uma memória social. É muito mais do que pedra e cal”.

Prédio da Câmara de Vereadores
A edificação onde se encontra a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista foi construída em 1910, e já funcionou como residência, hotel e sede do Fórum e Justiça do Trabalho. O prédio foi adquirido pelo município em 1960, passando por uma restauração para servir de sede ao Poder Legislativo.
Já a casa onde residiu Dona Henriqueta Prates, na praça Tancredo Neves, abriga o Museu Regional de Vitória da Conquista desde 1991, administrado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Aberto à visitação, o Museu conta com onze espaços temáticos, e possui um acervo composto por obras de artistas plásticos regionais, objetos da cultura popular local, fotografias e peças da história da cidade em diversas épocas, além de um importante material bibliográfico.
Há também a Casa de Dona Zaza, que foi construída em 1889 pelo pecuarista José Fernandes de Oliveira, um grande líder político e descendente do fundador da cidade. De acordo com o historiador Fábio Sena, a casa foi construída pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, popularmente conhecido por Luiz Pedreiro, e é a última edificação antiga da Praça Barão do Rio Branco preservada integralmente. O imóvel é tombado desde 2005.
Dentre outros prédios históricos da cidade que seguem de pé, podem ser citados o Solar das Fonsecas, a casa onde nasceu o cineasta Glauber Rocha, o Museu Pedagógico Casa Padre Palmeira e o prédio onde atualmente funciona o Centro de Convivência do Idoso.
A Secretaria Municipal de Cultura tem atuado em parceria com o Núcleo de Preservação do Patrimônio e com o Conselho Municipal de Cultura na identificação dessas construções, para o devido processo de tombamento e revitalização de imóveis de valor histórico. “Além da proteção legal, a intenção é buscarmos dar vida a esses espaços, promover neles atividades culturais, exposições e visitas guiadas, aproximando a comunidade de sua própria história. O objetivo é transformar o patrimônio em um instrumento de educação, turismo e desenvolvimento cultural sustentável para toda a cidade”, afirmou o assessor especial Alexandre Magno.
Para Wal Cordeiro, membro do Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município, cada prédio e cada detalhe arquitetônico conta um pedaço da história da cidade, reforçando o orgulho de ser conquistense. “Preservar essas edificações é preservar as raízes culturais e o sentimento de pertencimento da comunidade. Elas guardam a identidade, a arquitetura e os valores de diferentes épocas que ajudaram a formar o nosso povo”.

Wal Cordeiro, à direita
Segundo Wal, o Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico tem o papel de identificar, catalogar e propor o tombamento de bens que possuem relevância cultural e histórica para o município. “O trabalho do Núcleo é essencial para garantir que esses patrimônios sejam protegidos por lei e possam ser restaurados e valorizados. Recentemente, o Núcleo apresentou à Prefeitura e ao Conselho Municipal de Cultura uma proposta de tombamento coletivo de imóveis históricos, incluindo prédios públicos e espaços simbólicos, fortalecendo a política municipal de preservação e assegurando que a história de Vitória da Conquista continue sendo contada pelas próximas gerações”.
O trabalho em conjunto entre o Poder Público e a sociedade civil é fundamental para a preservação e valorização dos casarões históricos, assim como outros equipamentos e símbolos culturais de Vitória da Conquista, por serem parte da história, da vida e da identidade dos conquistenses. Uma cidade que protege e exalta seu passado tem melhores condições de caminhar pelo presente e construir um futuro ainda melhor.
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