
Gigante do e-commerce divulgou balanço na noite de quarta-feira
O Mercado Livre (BDR: MELI34) registrou nesta quarta-feira (29) um lucro líquido de US$ 421 milhões no terceiro trimestre, abaixo do esperado, afetado negativamente por efeitos cambiais e menor demanda na Argentina, enquanto a expansão do frete grátis no Brasil reduziu margens, mas ajudou a receita a bater as projeções de analistas. Às 12h53 (horário de Brasília), as ações do Mercado Livre subiam 4,27%, a US$ 2.399,26.
A XP Investimentos comenta que os números vieram ligeiramente melhores que o esperado, impulsionados principalmente pelo crescimento do volume bruto negociado (GMV, na sigla em inglês) no Brasil.
Segundo a corretora, o crescimento da receita permaneceu sólido, com aceleração no Brasil e México e desaceleração esperada na Argentina, enquanto a margem EBIT foi pressionada pelos investimentos de longo prazo da empresa, principalmente em marketing, frete grátis e expansão do crédito.
A empresa também divulgou vários indicadores operacionais com tendências favoráveis no Brasil, como crescimento de usuários únicos, redução dos custos de frete e aumento do sortimento, que, na visão da XP, sustentam os investimentos contínuos do Mercado Livre.
Já o Bradesco BBI considera os resultados e mensagens do 3T25 como neutros, pois vieram em linha com as expectativas – “ou seja, maior crescimento + rentabilidade reduzida = EBIT menor no curto prazo”. O banco avalia que a diferença de 5% no EBIT em relação ao consenso é insignificante em termos de valor presente líquido (VPL).
Apesar da prioridade da empresa em capturar oportunidades de crescimento, mesmo que isso signifique uma possível redução na rentabilidade a curto prazo, a mensagem subjacente do trimestre apresenta um saldo positivo para o futuro, na opinião do BBI, visto que (i) os investimentos/esforços claramente deram frutos em métricas de crescimento e fidelização do ecossistema, (ii) diluição significativa das despesas gerais e administrativas, (iii) boas perspectivas de rentabilidade do cartão de crédito.
Sobre rentabilidade, o Morgan Stanley observou que os investimentos mais altos no Brasil impactaram o EBIT, mas a magnitude dos gastos ficou dentro do esperado. O EBIT de US$ 724 milhões cresceu 30% ano a ano, ficando 3% abaixo da estimativa de mercado. As margens brutas caíram 260 pontos-base na comparação anual, para 43,3%, reflexo principalmente dos custos de frete e da composição de receitas.
A instituição destacou, porém, sinais positivos de eficiência: os custos unitários de frete no Brasil caíram 8% em relação ao trimestre anterior, e o lucro líquido de US$ 421 milhões ficou amplamente em linha com sua projeção de US$ 425 milhões, representando uma margem líquida de 5,7%.
Regionalmente, o Morgan Stanley apontou que o Brasil sofreu com maiores reinvestimentos e a Argentina enfrentou ventos contrários macroeconômicos, enquanto o México apresentou crescimento lucrativo consistente. O banco também ressaltou o desempenho do Mercado Crédito, cuja carteira bruta cresceu 83% ano a ano, e o avanço da receita com publicidade, que subiu 56% em dólares.
O GMV total cresceu 35%, com crescimento sólido em todas as principais regiões, Brasil (+34%), México (+34%) e Argentina (+44%), sendo que esta última apresentou desaceleração devido a ventos contrários macroeconômicos.
No Brasil, a XP destaca que os itens vendidos aceleraram para 42%, após a empresa reduzir o limite para frete grátis em junho, enquanto a aceleração do GMV foi mais moderada devido ao menor ticket médio dos pedidos. No México, o crescimento também acelerou, apoiado pelo aumento da penetração total e por um forte momento em 1P/CBT (venda direta / Vendas Diretas e Comércio Transfronteiriço).
O take rate consolidado ficou estável trimestre a trimestre em 25,2%, com taxas, anúncios e MELI+ (programa de fidelidade do Mercado Livre) compensando parcialmente a queda na receita de frete, levando a receita consolidada do comércio a crescer 33% ano a ano.
Olhando para frente, na avaliação da Ativa Investimentos, o MELI deve seguir seus investimentos agressivos em tecnologia, logística e em sua carteira de crédito, que deve continuar pressionando a rentabilidade de curto prazo, porém, devem otimizar a sua competitividade e escalabilidade no longo prazo.
Segundo a corretora, o Mercado Livre deve seguir focado em expansão, embora considerada a maior empresa da América Latina, sua participação de mercado do Mercado Livre ainda pode crescer, visto que hoje se encontra próximo de mid-teens no e-commerce e single-digit na fintech e em Ads.
O Morgan Stanley manteve recomendação de compra (Overweight) para as ações do Mercado Livre, com preço-alvo de US$ 2.850,00, destacando que a companhia segue equilibrando crescimento acelerado e rentabilidade sustentável.
O BBI e BBA também reiteraram classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de, respectivamente, US$ 3.000,00 e US$ 3.107,00.
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