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As ações de empresas brasileiras expostas à Argentina e que podem ganhar após eleição
As ações de empresas brasileiras expostas à Argentina e que podem ganhar após eleição
28/10/2025 11h10
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo

As ações de empresas brasileiras expostas à Argentina e que podem ganhar após eleição.

 

Empresas de bens de consumo e de bens de capitais podem ganhar com exposição à Argentina.

A sessão da última segunda-feira (27) foi de euforia para os mercados argentinos, com o bom desempenho do Libertad Avanza (LLA), partido do presidente Javier Milei, nas eleições legislativas realizadas no domingo (26) no país. O resultado pode facilitar a aprovação de reformas propostas pelo governo.

Na véspera, o índice S&P Merval disparou 21,7%, enquanto os ADRs de empresas argentinas se destacaram em Nova York. O ADR (recibo de ações negociados nos EUA) da YPF avançou 23,8%, o Banco Macro subiu 37,6%, e Pampa Energia avançou 23,75% em Wall Street. A Telecom Argentina subiu 37,5%.

“O desempenho eleitoral mais forte do que o esperado da LLA ontem deve dar um impulso sólido à agenda de reformas do governo e também contribuir significativamente para retornar os preços dos ativos para mais perto de onde estavam antes da eleição da Província de Buenos Aires”, avaliaram economistas do UBS.

Para o banco, a eleição solidificou o mandato de Milei por austeridade fiscal, inflação baixa e reformas estruturais. As preocupações de que a assistência financeira dos EUA (US$ 20 bilhões em uma linha de swap anunciada recentemente e outros US$ 20 bilhões em uma potencial linha de recompra com instituições privadas) pudesse depender de uma vitória de Milei nas eleições de meio de mandato também podem ter ajudado a influenciar os eleitores a votar a favor da LLA, notou o UBS.

O otimismo pode reverberar também em ações não-argentinas ou que tem exposição a outros países, conforme destaca o Itaú BBA.

O BBA considera os resultados como ligeiramente positivos para a região da América Latina e aproveitou a oportunidade para mapear a exposição de ações não-argentinas ao país.

No geral, o banco está overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) em ações do Brasil e do Chile e tem uma pequena exposição fora do índice na Argentina (por meio da Vista).

Ao fazer o mapeamento, o BBA identificou 26 empresas com exposição comercial direta à Argentina. Chile (principalmente em bens de consumo básicos), Brasil (setores diversificados) e México (em menor grau) têm empresas listadas expostas ao país, embora não significativamente significativas em termos da composição geral do índice do país.

O banco destaca as seguintes ações com recomendação de compra como potenciais beneficiárias da melhora do momento econômico e do sentimento na Argentina: i) Mercado Livre (BDR: ROXO34; 22% da receita e 43% da margem de contribuição); ii) Arcos Dorados (franquia do McDonald’s, respondendo a cerca de 13% do Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, incluído no ETF de maior liquidez do país); iii) Coca-Cola Andina (cerca de 22% da exposição ao Ebitda); e Natura (NATU3, cerca de 21% do Ebitda), ambas com mais de 10% de seus negócios provenientes do país.

Com relação ao setor de bens de capital, o Bradesco BBI também destacou a exposição à Argentina de empresas brasileiras, com base nos resultados financeiros de 2024. A Fras-le (FRAS3) obtém aproximadamente 7% de sua receita da Argentina, Mahle Metal Leve (LEVE3) 10% e Marcopolo (POMO4) respondendo também a 7% da receita (em 12 meses). A Randoncorp (RAPT4), por sua vez, tem cerca de 7% de exposição à região Mercosul + Chile. “As exportações do Brasil para a Argentina têm sido um importante motor de crescimento para a Marcopolo este ano”, reforça ainda o BBI.

O BBA destacou em quadro as ações com exposição à Argentina, que segue abaixo. Em negrito, estão as ações de empresas brasileiras:

Ticker Empresa Setor Exposição em Receita Exposição em EBITDA Performance (em 27/10/2025) Performance (acumulado em 2025)
MELI Mercado Livre Consumo Discricionário 22% 43% da Margem de Contribuição (proxy de EBIT) 5,6% 34,2%
ABEV3 Ambev Consumo Essencial 13% 15% 0,3% 3,5%
WEGE3 WEG Industriais 3-5% 0,7% -21,0%
BBAS3 Banco do Brasil Financeiro 1% dos Ativos e 3% do Patrimônio (Patagônia) 1,6% -13,7%
CENCOSUD CENCOSUD Consumo Essencial 20% 15% 7,4% 31,8%
GGBR4 Gerdau Materiais 2% 1-2% 0,1% 0,4%
KLBN11 Klabin Materiais 3-4% -1,1% -23,4%
ANDINAB Coca Cola Andina Consumo Essencial 25% 22% 4,9% 35,5%
GLOB Globant Tecnologia da Informação 5% 2-3% 4,8% -70,8%
CCU CCU Consumo Essencial 26% 18% 5,3% 6,8%
NATU3 Natura Consumo Essencial 17% 21% 0,8% -31,0%
ORBIA Orbia Materiais 3% 1,1% 11,7%
POMO4 Marcopolo Industriais 5-10% 5% 0,7% 18,6%
ARCO Arcos Dorados Consumo Discricionário 12% 13% 5,7% 4,5%
BEEF3 Minerva Consumo Essencial 10% -0,4% 57,0%
USIM5 Usiminas Materiais 3% 10,5% 2,6%
FRAS3 Fras Le Consumo Discricionário 7% 0,1% 12,3%
ALPEK Alpek Materiais 3% 2,0% -26,2%
LABB Genomma Lab Saúde 17% 18% 5,0% -26,4%
AGRO AdecoAgro Consumo Essencial 49% 11% 6,1% -12,1%
VTEX VTEX Tecnologia da Informação 10% 15% -0,2% -23,9%
LEVE3 Mahle Metal Leve Consumo Discricionário 10% 0,5% 3,8%
RAPT4 Randoncorp Industriais 2% 0,8% -39,1%
TUPY3 Tupy Industriais 1-5% 2,8% -46,9%
MYPK3 Iochpe Maxion Consumo Discricionário 5% 1,2% -2,7%
CVCB3 CVC Consumo Discricionário 18% 6% 3,9% 34,8%

(com Estadão Conteúdo)