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Juros do Tesouro Direto têm queda generalizada com otimismo após reunião Lula-Trump
Juros do Tesouro Direto têm queda generalizada com otimismo após reunião Lula-Trump
27/10/2025 13h01
Por: Redação Fonte: Tesouro Direto

Juros do Tesouro Direto têm queda generalizada com otimismo após reunião Lula-Trump.

 

Tom conciliador entre Lula e Trump em Kuala Lumpur impulsiona apetite por risco e derruba taxas dos títulos públicos atrelados à inflação.

As taxas do Tesouro Direto abriram em ampla queda nesta segunda-feira (27), acompanhando o alívio nos juros futuros e o otimismo dos mercados com o tom amistoso da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump, realizada no domingo (26) em Kuala Lumpur.

Embora não tenha resultado em um acordo imediato, o encontro reduziu incertezas sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores descreveu o encontro como “positivo e descontraído”, e Lula afirmou que a conversa com Trump foi “surpreendentemente boa”. O presidente americano, por sua vez, declarou que os EUA estão dispostos a “avançar rápido na discussão”.

O clima mais construtivo entre os dois países ajudou a derrubar as taxas dos títulos atrelados à inflação em toda a curva. Nesta manhã, o Tesouro IPCA+ 2050 pagava 6,91% ao ano de juro real, 5 pontos-base a menos que na sexta-feira (24), e bem abaixo dos 7,17% atingidos duas semanas antes.

Recuo também nas taxas do Tesouro IPCA+ 2040, que vão a 7,15%, e o IPCA+ com juros semestrais 2035, a 7,43%. O IPCA+ 2029 tinha a queda mais acentuada, de 7,95% na sexta para 7,87% nesta segunda.

Nos prefixados, as taxas também caíram levemente: de 13,09% para 13,00% ao ano no Tesouro Prefixado 2028, e de 13,58% para 13,49% no Prefixado 2032.

Segundo Ricardo Trevisan Gallo, CEO da Gravus Capital, o resultado imediato do encontro entre Lula e Trump é uma melhora de humor, mas a concretização de benefícios econômicos dependerá de “negociações técnicas bem estruturadas, com carve-outs setoriais e faseamento das tarifas”. Já José Cassiolato, estrategista da Vitrix Capital, afirmou que um eventual alívio tarifário poderia levar à valorização de empresas brasileiras e à recuperação de perdas provocadas pelo anúncio das tarifas.

A melhora do ambiente diplomático se soma à leitura mais benigna dos indicadores de inflação, que reforça expectativas de corte da Selic em 2026. O IPCA-15 de outubro subiu 0,18%, abaixo das projeções de mercado, e levou a XP a revisar sua projeção para o IPCA de 2025 de 4,7% para 4,6%.

Com menor percepção de risco e expectativas positivas sobre o comércio bilateral, o mercado de renda fixa começou a semana em modo de apetite por risco, com queda generalizada das taxas do Tesouro Direto e valorização dos ativos locais, com bolsa em leve alta e dólar em queda.

Confira as taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira (27), às 9h28:

Título Rendimento Anual Vencimento
Tesouro Selic 2028 SELIC + 0,0497% 01/03/2028
Tesouro Selic 2031 SELIC + 0,1014% 01/03/2031
Tesouro Prefixado 2028 13,00% 01/01/2028
Tesouro Prefixado 2032 13,49% 01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035 13,63% 01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029 IPCA + 7,87% 15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 IPCA + 7,43% 15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,15% 15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 IPCA + 7,20% 15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 6,91% 15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 IPCA + 7,09% 15/08/2060

Fonte: Tesouro Direto