
Parte fundamental da preservação e da transmissão de saberes tradicionais, os mestres da cultura popular abriram, nesta quarta-feira, 22, a programação especial da semana dedicada à sergipanidade, no Complexo Cultural Gonzagão. A ação integra o Festival da Sergipanidade e é realizada pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e da Secretaria Especial da Cultura (Secult).
Sergipe figura entre os estados com maior número de grupos folclóricos em atividade contínua desde o período colonial. Para sublinhar essa trajetória, a mesa “Sergipanidades, Patrimônio Cultural Imaterial e Memórias” reuniu Patrimônios Vivos da Cultura Sergipana e pesquisadores convidados, em uma conversa que tratou de salvaguarda, transmissão geracional de conhecimento e políticas de fomento.
Participaram da roda de conversa: Mestre Tonho Preto, de Boquim, que representa o Pífano de Santo Antônio e a Missa do Vaqueiro do Mestre Tonho Preto, com a professora Sandra Rodrigues como debatedora; Mestre Orlando do Couro, de Poço Redondo, referência em indumentária de couro, representado por Bruno Marques (Secult/Poço Redondo), com mediação crítica de Dênio Azevedo; Mestra Madá, da Ilha Grande (São Cristóvão), marisqueira, doceira, artesã e guardiã do Samba de Coco da Ilha Grande, com debate de Neto Astério (FUMCTUR/São Cristóvão); Beto Pezo, artesão de Santana do São Francisco, com a debatedora Solange de Oliveira (Escritório do MinC/SE); e Mestra Marilene, do Reisado São José (Povoado São José, Japaratuba), com o professor Luciano Acciole como debatedor.
Os mestres presentes foram contemplados pela Lei dos Mestres, no âmbito do Programa do Patrimônio Vivo, que reconhece e impulsiona a atuação de pessoas que mantêm práticas culturais relevantes em Sergipe. O programa prevê bolsa mensal equivalente a dois salários mínimos aos mestres selecionados, como medida de fomento à continuidade das atividades e de fortalecimento da cultura popular no estado.
Para a assessora técnica da Diretoria de Políticas Culturais (Dicult) da Funcap e mediadora da mesa, Grazzy Coutinho, o encontro evidenciou a potência da escuta e da memória. “Foi um momento muito de troca, histórias, relatos e muito significado sobre a importância de cada mestre. Foi muito importante começar essa semana especial com uma mesa tão rica e diversa, com cultura popular, artes plásticas, arte do couro, da argila e os nossos mestres, salvaguardas da nossa cultura e do sentido de pertencimento”, afirmou.
Com 73 anos, a Mestra Marilene mantém o Reisado São José com apresentações frequentes e luta para que outros grupos tenham o mesmo reconhecimento. “Esse encontro aqui foi muito especial. Tenho esse reconhecimento como Patrimônio Vivo, e o incentivo é muito bom. A partir dele consigo ajudar outros grupos, e fico feliz de, agora, poder contribuir com essa cultura”, contou.
Com trajetória ligada às artes visuais e ao artesanato, o Mestre Beto Pezão destacou a oportunidade de diálogo com outros mestres sergipanos: “Esse encontro foi o primeiro que passei. Achei muito bom encontrar os amigos, cada um na sua área. Quando há incentivo, motiva a prosseguir com a missão. Eu só tenho a agradecer”.
Representando o pai, Mestre Orlando do Couro, o produtor Bruno Marques destacou a continuidade do legado. “Para mim, que trabalho com ele, estar aqui hoje é importante para reafirmar o compromisso que ele tem com a cultura sergipana. Esse foi, sem dúvida, um momento muito emocionante. Foi o primeiro encontro onde a gente teve essas mestras e esses mestres dialogando sobre a importância de ser Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana, e isso é muito simbólico”, destacou.
Próxima etapa
A programação segue nesta quinta-feira, 23, a partir das 8h, novamente no Complexo Cultural Gonzagão, com nova roda de conversa mediada por Dênio Azevedo. Participam Mestra Zefinha, da Batucada Busca Pé (Estância); Mestre Di, do Samba de Coco do Mosqueiro (Aracaju); Mestra Finha, da Dança de Roda do Quilombo Sítio Alto (Simão Dias); e Mãe Marizete, do Abass São Jorge (Aracaju), representada pelo professor Fernando Aguiar, da UFS. A entrada é gratuita.
Festival Sergipanidade
Com realização até o dia 26 de outubro, o “Festival Sergipanidade” foi concebido como uma grande comemoração do mês dedicado à identidade, à história e aos saberes do povo sergipano. O evento oferece uma programação inteiramente gratuita, espalhada por diversos espaços culturais do estado.
A programação destaca a experiência coletiva, valorizando debates, exposições, rodas de conversa, apresentações artísticas de dança, circo e teatro, lançamentos de livros e homenagens a personalidades e patrimônios vivos culturais.







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