
Apoiado por Jair Bolsonaro, o projeto de esvaziamento da Lei da Ficha Limpa já reuniu anteriormente os deputados Dani Cunha e Zeca Dirceu, filhos de Eduardo Cunha e José Dirceu, respectivamente
Enquanto Jair Bolsonaro (PL) tenta convencer a opinião pública de que reduzir o tempo de inelegibilidade previsto pela Lei da Ficha Limpa será positivo para o país, a ONG Transparência Internacional recordou no X quem mais está “à espreita” do esvaziamento da lei de combate à corrupção.
O movimento de enfraquecimento da lei começou com a deputada Dani Cunha (União-RJ, foto), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (à direita na foto), que teve o mandato cassado e foi preso preventivamente pela Lava Jato em 2016, mas voltou a ser um homem livre em 2021 e, desde então, tem tentado retomar sua vida política.
A proposta teve aprovação relâmpago na Câmara, graças ao apoio do deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho de José Dirceu (PT), que apresentou requerimento de urgência para que ela não passasse pelas comissões da Casa. A tabelinha da filha de Cunha com o filho de Dirceu passou na Câmara, com 345 votos a favor e 55 contra, e na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, liderada na época pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas não chegou a ser votada pelo plenário da Casa.
Diante desse cenário, a Transparência Internacional questionou: “O Brasil quer ainda mais corruptos condenados voltando à cena?” Leia mais: Lei da barra limpa O Brasil não é dos brasileiros Como mostrou a reportagem de capa da nova edição de Crusoé, políticos bolsonaristas, do Centrão e lulistas se uniram mais uma vez em benefício próprio.
O objetivo imediato é livrar a cara de Jair Bolsonaro, que foi declarado inelegível por oito anos, e reabilitá-lo politicamente para as eleições de 2026. Mas, como o abrandamento da lei beneficiaria políticos encrencados de vários partidos, o movimento contra a legislação criada por iniciativa popular, após a coleta de 1,6 milhão de assinaturas, tem sido veladamente apoiado por petistas.
Como revelou com exclusividade O Antagonista, a ideia de uma proposta do deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) é reduzir essa pena para dois anos. O texto tem como relator o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Oficialmente, o PT está de olho no colegiado para tentar barrar a proposta. Extraoficialmente, o partido também se mostra interessado no esvaziamento da Lei da Ficha Limpa.
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