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A Fortaleza Americana: por que a próxima década pertence aos Estados Unidos

A Fortaleza Americana: por que a próxima década pertence aos Estados Unidos

14/10/2025 às 07h18
Por: Redação Fonte: infomoney
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A Fortaleza Americana: por que a próxima década pertence aos Estados Unidos

A Fortaleza Americana: por que a próxima década pertence aos Estados Unidos.

 

Os EUA não apenas sobreviveram a cada crise: subiram de nível.

Os fatos são teimosos. E a aritmética, mais ainda. Durante décadas, analistas lamentaram o suposto declínio americano. Enquanto isso, a ascensão da China parecia inevitável — até que a realidade reescreveu o roteiro. Os EUA não apenas sobreviveram a cada crise: subiram de nível. A próxima década? É deles.

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Não por acaso, mas porque controlam monopólios estruturais que nenhum rival consegue replicar. Se a China enfrenta impossibilidades matemáticas, a América acumula vantagens cumulativas. Jared Diamond mostrou em Guns, Germs, and Steel que o destino das civilizações é moldado por fatores estruturais, não por discursos. É exatamente o que vemos hoje: geografia, energia, capital, demografia, alianças e cultura — fundamentos que sustentam a supremacia americana.

O monopólio da inovação

Em 2024, mais de 90% das inovações disruptivas em inteligência artificial vieram dos EUA. O país concentra 70% da capacidade global de computação avançada, 60% dos principais pesquisadores e hospeda os modelos líderes (GPT, Claude, Gemini).

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Esse domínio não é só dinheiro, é ecossistema: universidades de ponta, venture capital abundante, imigração de talentos e uma cultura que transforma fracasso em aprendizado. O Vale do Silício já foi dado como morto muitas vezes. Hoje está mais dominante do que nunca.

O monopólio do dólar

Há 50 anos anunciam a morte do dólar. Mas cada crise só fortaleceu a moeda americana. Hoje, 59% das reservas globais seguem em dólar (IMF COFER, 2023), 88% das transações cambiais têm dólar de um lado (BIS, 2022) e 70% da dívida global é emitida na moeda.

Os EUA têm os maiores mercados de ações (US$ 50 tri), de dívida (US$ 51 tri) e privados (US$ 15 tri). Nenhum outro país oferece profundidade, liquidez e confiança institucional. Quando a China espirra, o capital corre para os Treasuries.

O monopólio da energia

Nos anos 1970, a América parecia condenada à dependência. Hoje é o maior produtor mundial de petróleo e gás, exportador líquido e líder em inovação energética (EIA, 2023). O shale oil reduziu custos industriais, o LNG (gás natural liquefeito) americano virou arma geopolítica, e a matriz cresceu em renováveis, nuclear modular e novas tecnologias.

Energia barata e abundante é o oxigênio invisível da indústria e da defesa. Nenhuma outra economia combina independência energética com exportação.

O monopólio da geografia

Os Estados Unidos possuem extensos litorais com dois oceanos, vizinhos estáveis, rios navegáveis e terras férteis. Em um mundo de batalhas de suprimento, a geografia americana é fortaleza natural, como já se comprovou nas duas Guerras Mundiais.

A China, em contraste, enfrenta 14 fronteiras terrestres, mares controlados por aliados dos EUA e dependência crônica de importações vitais.

O monopólio da demografia

Enquanto a China perde 10 milhões de trabalhadores por ano e ganha 20 milhões de aposentados, os EUA têm a vantagem de importar juventude. Mais de 1 milhão de imigrantes legais entram a cada ano (DHS, 2023). Cada engenheiro estrangeiro que permanece no Vale do Silício gera PIB futuro.

Muito se fala em políticas restritivas, mas é preciso separar realidade de retórica: o foco é coibir imigração ilegal e fluxos criminosos, não travar a entrada de cérebros. A América sempre foi — e continuará sendo — o polo mais atraente para o talento global.

O monopólio das alianças

Nenhum país tem algo comparável aos Estados Unidos, coligados a grupos como OTAN, AUKUS, Quad, G7 e Five Eyes. O PIB combinado dos aliados supera US$ 50 trilhões, quase metade do PIB mundial de 2024, de US$ 110 trilhões, segundo o FMI.

O Pentágono, por exemplo, vem transformando Taiwan em um “porco-espinho”: uma ilha tão armada que invadi-la seria suicídio. Essa estratégia dissuasória reforça a teia de alianças que cerca a China.

O monopólio da cultura

Soft power é aspiração. O inglês falado nos Estados Unidos é hoje a língua da ciência, dos negócios e da internet. Hollywood exporta sonhos por meio das salas de cinema de todo o mundo, ou na palma da mão, graças aos serviços de streaming. A China exporta vigilância. Soft power não precisa de visto.

A prática reforça a teoria

Esses monopólios não são teóricos: são reforçados todos os dias. O Departamento de Estado costura friend-shoring com Índia, Vietnã e México, o Tesouro moderniza o dólar com stablecoins e Treasuries tokenizados, e o Congresso autoriza investimentos em fábricas de chips, energia nuclear modular e datacenters.

Em contraste

A China enfrenta impossibilidades matemáticas, enquanto os Estados Unidos acumulam vantagens estruturais. Sua economia funciona como uma panela de pressão sem válvula, ao passo que os EUA contam com instituições capazes de absorver crises. Enquanto desperdiça capital em fábricas zumbis, os americanos atraem recursos globais para mercados profundos. Além disso, depende da importação de energia e alimentos, ao contrário dos EUA, que são exportadores desses recursos.

Jared Diamond mostrou em Collapse que sociedades ruíram quando elites dobraram a aposta em modelos falidos. É exatamente o risco da China. Os EUA, ao contrário, transformam cada crise em reinício.

O cenário que se repete

O Japão envelheceu em paz porque tinha válvulas democráticas. A União Soviética implodiu porque não conseguia admitir erros. A China enfrenta os dois dilemas ao mesmo tempo, somados a uma bolha de endividamento inédita.

A América é o oposto, pois sua força está em errar e corrigir, em transformar crises em reinício, em acumular vantagens impossíveis de replicar.

Como dizia Mark Twain, “os fatos são teimosos”. E a aritmética é o fato mais teimoso de todos. Por isso, o século XXI não será chinês. Será americano — mais uma vez.

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