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Dia Mundial do Surdo: CAES é instrumento de ensino, inclusão e acessibilidade

Além do CAES, o município dispõe da Central de Interpretação de Libras (CIL) que oferece atendimento aos surdos matriculados ou não no CAES em ser...

26/09/2025 às 21h12
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Marabá - PA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA

Além do CAES, o município dispõe da Central de Interpretação de Libras (CIL) que oferece atendimento aos surdos matriculados ou não no CAES em serviços como hospitais, bancos, delegacia, entre outros, garantindo acessibilidade e inclusão em Libras.

Com 54 alunos, em novo endereço, na Folha 22, Nova Marabá, o Centro de Atendimento Especializado na Área da Surdez (Caes) além de realizar o acompanhamento de pessoas surdas ou com deficiência auditiva, é um lugar de encontro de histórias e vivências, que dizem muito sobre um mundo que ainda precisa caminhar bastante para garantir a acessibilidade universal.

O professor Hugo Freires atua no centro desde o início, em 2017. Ele nasceu em Tucuruí e mudou-se com a família para Jacundá. Lá, teve o primeiro impacto sobre o que significava ser surdo. Ele não sabia a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e, por causa disso, tinha dificuldades na escola.

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Em uma viagem para Santa Catarina, uma tia o levou à universidade federal do estado onde teve contato com a comunidade surda. Até então, ele usava gestos e sinais caseiros para se comunicar. Quando retornou da viagem, veio para Marabá e graças a uma professora da Escola Jonathas Pontes Athias, recebeu o ensino das palavras em português.

Hugo mudou-se para Belém para cursar o ensino médio. Retornou para Jacundá e veio para Marabá para cursar o ensino superior. Tinha em mente o curso de matemática, mas mudou de ideia quando constatou que era necessário ter mais professores surdos na docência.

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“Eu fiquei refletindo, ‘não, não vou mais para a matemática’. Me influenciaram a fazer o curso de pedagogia. Entrei na faculdade e eram três surdos estudando, aprendendo e tinha dois intérpretes trabalhando nessa mediação”, relembra.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Hugo Freires é professor do CAES desde 2017

Desde 2013, ele é concursado da Prefeitura de Marabá. Inicialmente, atuou como professor na Escola Jonathas Pontes Athias, onde recorda as experiências que teve. “Depois, me tornei professor na Escola Jonathas, junto com as crianças surdas em que eu adaptava as atividades, em que ensinava as crianças, tendo um sentimento de troca, de empatia, adaptando as palavras com sinais”, comenta.

Quando o Caes passou a ter prédio próprio, trocou experiências com os professores de matemática e português. Hoje, ele avalia que o Caes tem um significado e um papel social imprescindíveis.

“Esse espaço é muito importante porque as famílias têm muita barreira na comunicação. É muito difícil. Quando o aluno chega, faço adaptação dos sinais, mostro as imagens de pai, mãe, sobrinho, tio, ele vai aprendendo vários sinais, vai desenvolvendo porque na família ele não entende nada, é só as pessoas se comunicando de forma oral. E, quando chega aqui, a comunicação flui. Tem uma comunicação e tem aprendizado verdadeiro na língua natural deles porque eles não falam de forma oralizada”, destaca o professor que, além de Pedagogia e Letras-Libras, é formado em Educação Física.

Kênia Sousa é uma das alunas do professor Hugo, acompanhada pelo Caes desde criança. “Eu gosto demais de estudar aqui neste espaço. Fui conhecendo, interagindo. E com isso eu fui crescendo. Agora, estou com 17 anos e já tenho uma fluência na Libras. Aqui também tenho aula de Português, de Matemática, e principalmente da Libras. Aqui é muito bom e eu fico muito feliz nos dias que eu venho. Eu me sinto muito feliz porque eu tenho um incentivo, tenho um aprendizado no português, várias palavras que eu aprendi os sinais aqui neste espaço”, pontua.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Kênia Souza estuda Libras e outras disciplina no CAES

O professor Hugo relembra como foi o processo de aprendizagem de Kênia. “Foi uma experiência muito difícil. Foi uma luta. Ela era uma aluna que não queria prestar atenção, sempre desviava. Usei muita estratégia. Tentava um trabalho maleável com ela, mostrando as imagens, sinais e ela sempre com raiva. Eu ia usando várias estratégias para mostrar, ‘olha essa aqui é a letra A’. Até ela conseguir ter uma mudança de mentalidade. Hoje, eu sinto muito orgulho e me sinto feliz porque ela tem uma vida excelente. Ela consegue se comunicar em Libras”, relembra.

Além do CAES, as pessoas surdas e deficientes auditivas dispõe da Central de Interpretação de Libras (CIL) que oferece atendimento aos surdos matriculados ou não no CAES em serviços como hospitais, bancos, delegacia, entre outros, garantindo acessibilidade e inclusão em Libras.

Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes

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