Mesmo com discurso alinhado com a busca por boa relação, o presidente destacou que não tolerará interferências na política brasileira.
Em coletiva de imprensa após agenda na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou querer reestabelecer harmonia necessária entre Brasil e EUA. Mesmo com discurso alinhado com a busca por boa relação, o presidente destacou que não tolerará interferências na política brasileira e que a soberania não está em pauta.
“Quando tiver eleições nos EUA, eu não me meto. Quando tiver eleições no Brasil, ele não se mete”, disse.
Dizendo-se “satisfeito” com a rápida conversa com Trump na terça-feira após fazer seu discurso de abertura na Assembleia-Geral da ONU em Nova York, Lula confirmou a possibilidade de um encontro entre os dois nos próximos dias.
“Eu tive uma outra satisfação de ter um encontro com o presidente Trump. Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu. Eu fiquei feliz quando ele disse… que pintou uma química boa entre nós”, afirmou Lula em entrevista na sede da ONU em Nova York.
“Como eu acho que a relação humana é 80% química e 20% emoção, eu acho que é muito importante essa relação e eu torço para que dê certo porque Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias do continente”, acrescentou o presidente, citando áreas de interesse mútuo no setor empresarial, comercial, industrial, tecnológico e digital, entre outros.
Lula disse que gostaria de apresentar ao presidente americano as reais condições presentes no comércio entre o Brasil e os EUA. “Acho que Trump está mal informado em relação ao Brasil e isso fez com que ele tomasse decisões que não são aceitáveis em países que tem relação diplomática há mais de 200 anos”, diz.