
O mercado turístico no Acre tem registrado crescimento significativo nos últimos anos, atraindo cada vez mais visitantes locais, turistas de outros estados e estrangeiros. Dados do Ministério do Turismo, da Embratur e da Polícia Federal apontam que, apenas no primeiro trimestre de 2025, o estado recebeu 5,7 mil turistas internacionais, um aumento de 18,5% em relação ao mesmo período de 2024. A maior parte dos visitantes veio do Peru e da Bolívia, reforçando a posição estratégica do Acre na integração amazônica.
Esse crescimento é impulsionado pela diversidade de modalidades turísticas oferecidas no estado: ecoturismo, turismo de aventura, turismo de base comunitária e contato com povos tradicionais e originários, além de roteiros que resgatam a história da borracha e da Revolução Acreana. Do Vale do Juruá ao Alto Acre, cada regional apresenta atrativos únicos, compondo a cultura, ambiental e histórico.

Com a demanda em alta, o governo do Estado, por meio da Secretarias de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) e de Meio Ambiente (Sema), iniciou estudos técnicos para fortalecer e reabrir atividades na Área de Proteção Ambiental (APA) Lago do Amapá. Nesta sexta-feira, 19, representantes das secretarias se reuniram com a comunidade e a Associação de Moradores e Produtores Rurais da Estrada do Amapá para avaliar o potencial do turismo de base comunitária e do turismo gastronômico da região.
“O objetivo da visita aqui na APA do Amapá é resgatar o turismo nessa área de preservação, gerar receita dentro da comunidade formando condutores, reforçando o setor gastronômico local. O Amapá é conhecido como circuito gastronômico dentro de Rio Branco. Então, a gente quer resgatar esse turismo cultural urbano em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente”, destacou Francismay Costa, turismólogo e técnico administrativo da Sete.

Entre os pontos avaliados estão trilhas ecológicas, passeios de caiaque, observação de aves e resgate histórico-cultural, como a emboscada de Plácido de Castro. A proposta é revitalizar esses atrativos para apresentá-los em feiras e exposições, além de incorporá-los aos roteiros turísticos oferecidos em hotéis e agências.
Segundo a presidente da associação local, Aliete Gadelha, a iniciativa traz esperança de desenvolvimento aliado à preservação. “Essa visita e esse trabalho que está sendo iniciado são de fundamental importância. Estamos dentro de uma área de proteção ambiental que abastece Rio Branco e ajuda a regular a temperatura da capital. Com esse olhar diferenciado do governo, vamos resgatar nosso patrimônio histórico e cultural, valorizar espécies nativas como a Passiflora acreana (maracujá nativo), e fortalecer os moradores e produtores rurais que querem abraçar o turismo”, ressaltou.

A culinária acreana é reconhecida como um dos atrativos da região. Da tradicional baixaria no café da manhã ao quibe de arroz no lanche da tarde, passando pela galinha caipira no almoço, a gastronomia local reforça a identidade cultural do estado. Na APA do Amapá, a integração entre turismo gastronômico, trilhas, passeios e museu da Revolução Acreana cria uma programação completa para famílias e visitantes em busca de experiências culturais.
Outro destaque da região é a observação de aves. O Acre possui mais de 700 espécies catalogadas, incluindo raridades como a choca-do-acre e o flautim-rufo, que atraem cientistas, pesquisadores e turistas especializados. Desde 2015, a APA do Amapá recebe grupos de visitantes nacionais e internacionais.
“O Acre é repleto de espécies que só têm aqui. A observação de aves desperta prazer, bem-estar e contribui para o turismo sustentável. Nosso trabalho é preparar a região para receber cada vez melhor esses visitantes”, explicou o biólogo Ricardo Plácido.

Para o gestor da APA Lago do Amapá, Samyr Vieira de Farias, a integração entre turismo e preservação ambiental é fundamental. “Temos hoje uma área de 5.200 hectares dentro da cidade de Rio Branco. Esse trabalho junto à comunidade vai garantir conservação, geração de renda e valorização ambiental, transformando a APA em um polo turístico”, destacou.

A Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá concentra história, cultura, biodiversidade e gastronomia em um mesmo espaço. Seu potencial turístico, aliado à preservação ambiental e à participação comunitária, reforça a vocação do Acre para transformar suas riquezas naturais em desenvolvimento sustentável, com geração de emprego, renda e qualidade de vida para a população.
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