Saúde Sergipe
Emdagro intensifica monitoramento da praga cochonilha-do-carmim no alto sertão sergipano
Inseto causa riscos à palma forrageira, base da alimentação animal e da economia da região
13/09/2025 09h12
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe

No sertão sergipano, a palma forrageira ocupa um papel que vai muito além de uma simples planta. Presente na paisagem e na rotina de milhares de famílias, ela garante alimento ao rebanho, sustento ao agricultor e segurança à pecuária. Mas essa cultura, de forte valor socioeconômico, enfrenta um desafio crescente: a cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae), uma praga que, embora não seja considerada quarentenária, pode causar sérios prejuízos se não for controlada. A chegada da praga ao estado foi identificada por técnicos da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e, desde então, desencadeou um trabalho de vigilância ativa. 

A resposta envolve a aplicação do Plano de Contingência da Cochonilha-do-Carmim, que define estratégias de prevenção, controle e conscientização dos produtores. Mais do que um problema fitossanitário, a cochonilha ameaça um patrimônio cultural e econômico do sertanejo. “Estamos reforçando a importância da vigilância ativa e da comunicação imediata de qualquer foco suspeito. Esse trabalho coletivo é fundamental para garantir a proteção da cadeia produtiva da palma, que tem grande relevância socioeconômica para o estado de Sergipe”, explicou a diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade.

As principais recomendações feitas aos agricultores incluem a erradicação da área em caso de infestação confirmada, com uso restrito da palma para alimentação do rebanho da própria propriedade, e a substituição gradual da variedade gigante, mais suscetível, por materiais geneticamente resistentes, como a palma miúda, a mexicana e a IPA Sertânia.

Produtores que receberam a visita da equipe técnica relatam a importância da ação. Para o agricultor José Valdir Vieira Silva, de Porto da Folha, o contato com a Emdagro trouxe mais segurança. “O trabalho é de suma importância porque vem proteger o produtor que já vive seus desafios, ainda mais com uma praga como essa. Então, receber a orientação dos técnicos da Emdagro deixa a gente mais seguro para não sofrer tanto as consequências dessa praga”, afirmou.

Feliz por não terem sido identificados indícios da presença da cochonilha-do-carmim em seu plantio, o agricultor Adilson Pereira de Barros, do povoado Museu do Matuto, também em Porto da Folha, agradeceu pela presença da equipe técnica da Emdagro e ressaltou o trabalho que vem sendo feito na prevenção contra a praga. “É muito importante porque se a gente não sabe das coisas e vem alguém para explicar, é uma coisa boa demais. Com as orientações passadas, já sei que vou ter que passar a cultivar as variedades mais resistentes a essa doença”, contou ele.

O esforço não é apenas técnico, mas também educativo. A conscientização do agricultor é apontada como a linha de frente dessa batalha. Cada suspeita comunicada e medida preventiva adotada ajudam a manter viva a cadeia produtiva da palma, essencial para a pecuária no semiárido.

“No fim das contas, a luta contra a cochonilha-do-carmim não é de um dia, mas de todos. Um desafio contínuo que une ciência, vigilância e tradição para proteger a base da produção animal no sertão sergipano”, detalhou o coordenador de Defesa Vegetal da Emdagro, Alberto Ferreira do Nascimento Junior.

Palma forrageira contaminada por praga
Agricultor José Valdir Vieira Silva, de Porto da Folha
Agricultor Adilson Pereira de Barros, do povoado Museu do Matuto, em Porto da Folha
Coordenador de Defesa Vegetal da Emdagro, Alberto Ferreira do Nascimento Junior
Equipe da Emdagro em campo, orientando produtores rurais