Publicamente, quem puxou o coro de insatisfação foi o ex-secretário de Comunicação e articulador do ex-presidente, Fábio Wajngarten, que compartilhou uma crítica contundente nas redes sociais: “Eu sei muito bem qual era o ‘modus operandi’ dessa turma que vivia no bate e assopra na orelha do presidente. Criavam e distribuíam dentro do Gabinete Presidencial teorias conspiratórias para se manter vivos dentro de suas insignificâncias”.
Apesar de reafirmar respeito às Forças Armadas, Wajngarten destacou que militares do alto escalão “vilanizavam a política” mesmo antes do governo Bolsonaro: “Fizeram campanhas para avançar sobre pastas que sequer dominavam os temas básicos, motivados pelos benefícios que acompanham os cargos. Se deslumbraram por completo com microfones, garçons e motoristas que faziam parte do ‘entourage’ que nunca tiveram. Não aceitarei mentiras neste momento em que sequer o presidente possa se defender”, escreveu.
Paulo Sérgio Nogueira é um dos oito réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista. A defesa buscou afastar sua responsabilidade, apresentando a narrativa de que o general teria atuado para impedir medidas de exceção sugeridas por Bolsonaro. Durante o julgamento, Andrew Fernandes Farias, advogado de Nogueira, afirmou:
— O general Paulo Sérgio atuou para demover o presidente de qualquer medida de exceção. A inocência do general, segundo a delação de Mauro Cid, principal testemunha de acusação, é manifesta.
O caso remete ao período final do governo Bolsonaro, quando o ex-mandatário e seu entorno teriam traçado um plano para seguir no poder, mesmo após terem sido derrotados nas urnas. Paulo Sérgio, que ocupava o Ministério da Defesa desde 2022 e tinha trajetória consolidada como general quatro estrelas, passou a ser visto como peça central. Para aliados do ex-presidente, entretanto, sua permanência no governo diante de sinais de planejamento de golpe é questionável.
Além do contexto político, o julgamento carrega forte repercussão simbólica. Ele reúne militares de alto escalão, ex-presidentes e a Suprema Corte no mesmo palco, expondo fragilidades institucionais e divergências estratégicas dentro do próprio governo passado. Até o momento, a estratégia de deslocar o foco da acusação para Bolsonaro provocou críticas intensas na base.
A defesa de Bolsonaro, por sua vez, tem sustentado que o ex-presidente não participou de nenhuma tentativa de golpe e que estava fora do país quando ocorreram os atos antidemocráticos do 8 de janeiro de 2023. O julgamento continua na próxima semana, com sessões marcadas para terça-feira, quarta-feira e sexta-feira.