Maria Shirlei Piontkievicz hostilizou o ministro Flávio Dino durante voo de São Luís a Brasília; caso ocorre em meio à tensão no STF.
A Polícia Federal (PF) indiciou Maria Shirlei Piontkievicz, servidora do governo do Paraná, por hostilizar e tentar agredir o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um voo de São Luís (MA) para Brasília, na segunda-feira (1º).
Segundo a corporação, ela foi enquadrada nos crimes de injúria qualificada — por ofensas públicas à dignidade do ministro — e incitação ao crime, por estimular que outros passageiros se unissem às agressões.
De acordo com a assessoria de Dino à CNN Brasil, o episódio ocorreu enquanto o ministro estava sentado e de cabeça baixa, aguardando a decolagem. A passageira embarcou aos gritos, afirmando que “não respeita essa espécie de gente” e que o avião “estava contaminado”.
A mulher chegou a tentar avançar em direção ao assento do ministro, mas foi contida por um segurança. Ainda segundo a equipe de Dino, ela apontava na direção dele e gritava “o Dino está aqui”, numa tentativa de incitar uma rebelião a bordo.
Após ser advertida, a passageira cessou a hostilização. A Polícia Federal foi acionada ainda no aeroporto de São Luís e comunicou o caso à superintendência em Brasília. A investigação concluiu pelo indiciamento.
“Agressões físicas e verbais, ainda mais no interior de um avião, são inaceitáveis, inclusive por atrapalhar outros passageiros e colocar em risco a operação do próprio voo, que é um serviço essencial”, declarou a assessoria do ministro em nota.
O episódio ocorre em um momento de forte pressão sobre o Supremo. Dino é um dos cinco ministros da Primeira Turma responsável pelo julgamento do chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista de 2022, que tem entre os réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O julgamento começou nesta terça-feira (2) e pode resultar em condenações por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.