
O Brasil vai aderir a um tratado que defende a neutralidade sobre o canal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, dia 28, que o Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o canal, alvo de cobiça e ameaça de retomada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Brasil vai aderir a um tratado que defende a neutralidade sobre o canal.
Lula recebeu no Palácio do Planalto visita do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e disse que o país centro-americano conquistou autonomia sobre o canal após anos de luta e que o administra desde 1999 mantendo a neutralidade sobre a infraestrutura.
No início do ano, Trump ameaçou retomar o controle do canal, construído em parceria com os EUA e uma das rotas mais importantes para o transporte marítimo de cargas intercontinental.
O republicano acusou o governo panamenho de favorecer companhias chinesas instaladas no local e de cobrar tarifas exorbitantes das americanas. Ele defendeu que a navegação sob bandeira americana fosse gratuita. Após visita de Marco Rubio, secretário de Estado, Mulino anunciou que retiraria o Panamá da Nova Rota da Seda, iniciativa chinesa.
“O Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal, conquistada após décadas de luta. Há mais de 25 anos, o país administra o corredor marítimo com eficiência e respeito à neutralidade, garantindo trânsito seguro a navios de todas as origens. Por isso decidimos nos somar ao tratado relativo à neutralidade permanente e ao funcionamento do Canal do Panamá, já subscrito por mais de 140 países”, disse o presidente brasileiro.
“O tema do Canal é muito emotivo, muito próprio para nós”, disse Mulino, que recordou a disputa por mais de um século sobre o canal e áreas adjacentes e afirmou ser gerido por um tratado multilateral de neutralidade, assinado com os EUA, e que os dois lados tiveram que ceder. “Não existe hoje, nem poderá existir nunca, um país que não dependa dos outros em múltiplas coisas. O país autossuficiente não existe.”
O petista afirmou que a América Latina e o Caribe passa por um dos momentos mais críticos da história da região e que “ameaças de ingerências pressionam instituições democráticas” e o comércio virou “instrumento de coerção e chantagem”. Mulino concordou que a região atravessa um momento político “muito difícil” e assegurou que apoia o multilateralismo.
“Tentativas de restaurar antigas hegemonias colocam em xeque a liberdade e a autodeterminação de nossos povos. Ameaças de ingerência pressionam instituições democráticas e comprometem a construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo. O comércio internacional é utilizado como instrumento de coerção e chantagem. A frase ‘quem semeia bandeiras colhe soberania’, que marcou a resistência panamenha no século 20, é mais atual do que nunca”, afirmou Lula.
Assim como fez ao lado de Daniel Noboa, presidente do Equador, Lula evitou citar Trump, mas reagiu ao envio do frota naval de guerra ao Mar do Caribe, sob o argumento de combater cartéis de droga e que colocou sob pressão a ditatura da Venezuela.
Ele disse que o “combate ao crime organizado não pode servir de pretexto para ameaças ilegais e uso de força” em violação à Carta das Nações Unidas.
Lula convidou ainda Mulino para a COP-30, em Belém (PA), e disse que a conferência climática será a “COP da verdade” e vai evidenciar que governantes globais estão ou não preocupados com a mudança do clima e se acreditam ou não na ciência.
“Se a gente não acredita, passaremos para a histórica como os únicos animais capazes de destruir seu habitat natural que é o Planeta Terra”, afirmou Lula.
O petista convidou Trump por meio de uma carta ainda não respondida, meses depois de o americano comunicar pela segunda vez a retirada dos EUA dos compromissos assumidos no Acordo de Paris, em 2015.
Os presidentes celebraram o acordo para a venda de quatro caças A-29 SuperTucano, fabricados pela Embraer, para a frota do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá. A venda já havia sido anunciada pela empresa brasileira, e os presidentes posaram com uma miniatura do avião.
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