
A transformação digital tem remodelado a forma como as empresas conduzem suas estratégias de vendas. O uso crescente de tecnologia, dados e inteligência artificial (IA) tem permitido abordagens mais precisas, personalizadas e automatizadas, alterando significativamente o relacionamento com consumidores e o desempenho comercial.
Segundo a consultoria McKinsey, 40% das organizações afirmam que aumentarão os investimentos em IA, impulsionadas pelos avanços da inteligência artificial generativa. Em 2023, um terço das empresas globais já utilizavam IA generativa em ao menos uma função de negócios, sendo vendas e marketing os setores com maior impacto. O uso da tecnologia tem sido aplicado à identificação de leads, análise de comportamento e automação de interações com clientes.
No Brasil, empresas têm aderido à tendência por meio de plataformas voltadas à automação comercial. A Redrive, por exemplo, utiliza dados de comportamento, localização e interações digitais para realizar a segmentação de públicos e a captura de leads de forma automatizada. A estratégia permite a personalização das mensagens e o escalonamento das ações comerciais com base em padrões de comportamento identificados por algoritmos.
Para Daniel Reginatto, CEO da Redrive, a tecnologia tem ampliado o papel estratégico das vendas. “A inteligência artificial na nossa plataforma permite que as empresas entendam melhor o comportamento de seus consumidores, criando abordagens mais assertivas e que realmente conectem as marcas aos seus públicos”, afirma.
Além da personalização, os ganhos operacionais também se destacam. De acordo com a Austral, empresas que implementam automação de vendas registram aumento de até 14% na produtividade. A digitalização de processos e o uso de dados em tempo real tornam as equipes mais eficientes e ajudam a reduzir desperdícios em campanhas e abordagens.
A expansão desse mercado é confirmada por projeções da Bain & Company, que estima que o setor de produtos e serviços de inteligência artificial deve movimentar aproximadamente US$ 990 bilhões até 2027. A aplicação da IA em vendas e atendimento está entre os principais vetores desse crescimento global.
Diante do uso intensivo de dados, cresce também a exigência por conformidade com legislações de privacidade. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece critérios rigorosos para a coleta, o armazenamento e o uso de informações pessoais, obrigando empresas a adotarem práticas mais transparentes e responsáveis.
Nesse contexto, Reginatto reforça a importância do alinhamento entre inovação e legislação. “As ferramentas digitais precisam ser aliadas da conformidade com a legislação. Priorizamos processos que garantem a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”, destaca.
À medida que a inteligência artificial se consolida como peça central nas estratégias comerciais, o desafio das empresas será integrar tecnologia, dados e ética para construir experiências de consumo mais eficientes e relações mais sustentáveis com seus públicos.
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