
Durante a sessão desta quarta-feira (27) na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), a deputada Antonia Sales (MDB) destacou dois temas de grande relevância para a população: o início do Festival da Farinha de Cruzeiro do Sul e a grave situação da violência contra a mulher no estado. A parlamentar iniciou seu pronunciamento celebrando o lançamento do festival que exalta a tradicional farinha do Juruá, reconhecida nacionalmente pela qualidade.
“Ao povo de Cruzeiro do Sul, que hoje começa o festival da nossa famosa farinha do Juruá. Ela é conhecida em todo o Brasil, e quando viajamos, principalmente a Brasília, sempre nos perguntam: cadê a farinha de Cruzeiro do Sul? Isso mostra a importância desse produto para a nossa identidade cultural e econômica”, frisou.
Em seguida, a emedebista voltou seu discurso para um tema sensível e urgente: a violência contra mulheres, crianças e adolescentes no Acre. Ela citou o caso recente do assassinato de dona Maria Ivanilde, morta brutalmente pelo marido em Rio Branco, para chamar atenção das autoridades e da sociedade sobre a necessidade de medidas mais rigorosas.
“Cada dia nos deparamos com notícias de mortes violentas contra as nossas mulheres. Até quando vamos continuar assistindo a essas cenas de feminicídio e violência doméstica? Apesar de sermos um estado pequeno em população, nosso índice de violência contra a mulher está entre os mais altos do país. Isso é inadmissível”, afirmou.
A deputada criticou a fragilidade do sistema de proteção e destacou a necessidade de maior fiscalização sobre dependentes químicos em tratamento. Segundo ela, casos como o de Maria Ivanilde poderiam ser evitados. “As casas terapêuticas não deveriam liberar pessoas enquanto não estivessem aptas e sem oferecer risco. Um homem violento, usuário de drogas, pode não apenas matar a esposa, mas qualquer pessoa que o contrarie. Precisamos rever esses mecanismos de proteção às mulheres”, alertou.
Antônia Sales também cobrou campanhas massivas de conscientização sobre o enfrentamento à violência doméstica. “Não vemos propaganda suficiente na televisão, no rádio, que ajude a romper esse ciclo da violência que ainda impera no nosso estado. É preciso mais ações de prevenção e de amparo às vítimas”, destacou.
Encerrando sua fala, a parlamentar fez um apelo direto às mulheres acreanas para que não permaneçam em relações abusivas. “Quero dar um conselho: rompam esse ciclo de violência. Um homem que bate uma vez vai bater de novo, e a cada repetição a violência aumenta, até que, infelizmente, pode tirar a sua vida. Procurem ajuda, existem delegacias especializadas, a Defensoria Pública, o Ministério Público e tantas instituições prontas para amparar vocês. Não deem a oportunidade para que esses homens as matem”, reforçou.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale
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