Segundo relatos feitos à imprensa israelense no começo do mês, quando o plano foi aprovado, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu foi alertado até mesmo pelo chefe do Exército, Eyal Zamir, que a tomada da Cidade de Gaza colocaria a vida dos reféns em risco.
O Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu neste domingo prosseguir com a ofensiva e disse que a Cidade de Gaza será arrasada a menos que o Hamas concorde em encerrar a guerra nos termos de Israel e liberte todos os reféns.
O grupo terrorista, por sua vez, afirmou em um comunicado que o plano demonstra que Israel não leva a sério um cessar-fogo, “a única maneira de devolver os reféns”, de acordo com a facção, que responsabiliza Netanyahu pelas vidas dos sequestrados.
A proposta em discussão prevê uma trégua de 60 dias, a libertação de 10 reféns vivos mantidos em Gaza e a devolução de 18 corpos. Já Israel libertaria cerca de 200 prisioneiros palestinos que cumprem pena há muito tempo e estão sob sua custódia. Assim que o cessar-fogo começasse, os dois lados iniciariam negociações para uma trégua permanente, que incluiria o retorno dos reféns restantes.
Os bombardeios fizeram milhares de pessoas novamente se deslocarem da Cidade de Gaza, carregando seus pertences em veículos e riquixás, enquanto outros dizem ter desistido de fugir. De acordo com a ONU, praticamente toda a população do território já se deslocou devido aos ataques, algumas dezenas de vezes.
“Parei de contar as vezes que tive que levar minha esposa e três filhas para deixar minha casa na Cidade de Gaza”, disse Mohammad, 40, à agência de notícias Reuters. “Nenhum lugar é seguro, mas não posso correr o risco. Se eles começarem a invasão repentinamente, usarão fogo pesado.”
Já Aya, 31, que tem uma família de oito pessoas, disse que não vai embora. “Que nos bombardeiem em casa”, disse, acrescentando que não teria dinheiro para comprar uma barraca ou pagar o transporte, mesmo que tentassem sair. “Estamos com fome, com medo e sem dinheiro.”
Um grupo global de monitoramento da fome afirmou na sexta (22) que a Cidade de Gaza e áreas vizinhas estão oficialmente sofrendo com a fome, que provavelmente se espalhará pelo restante do território. Israel, que limita a chegada de ajuda humanitária no território desde o início do conflito, rejeita a avaliação.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, mais oito pessoas morreram de desnutrição e fome em Gaza, elevando o número de mortes por essas causas para 289 pessoas, incluindo 115 crianças, desde o início da guerra. Israel também contesta os números de mortes.