Paralelamente, emissários falam em avanços após reunião com Putin e sinalizam concessões do presidente russo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia deve abandonar a perspectiva de integrar a Otan e de recuperar a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, como condição para encerrar a guerra. A declaração ocorre horas antes de seu encontro nesta segunda-feira (18) com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus na Casa Branca.
“Zelensky pode acabar com a guerra quase imediatamente, se quiser”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, acrescentando que “não há volta em relação à Crimeia” e que não haverá ingresso da Ucrânia na aliança militar ocidental.
Trump recebeu o presidente russo, Vladimir Putin, em Anchorage, no Alasca, na última sexta-feira (15), e vem pressionando Kiev a aceitar um acordo de paz. Segundo autoridades americanas, as conversas com Putin incluíram cinco regiões ucranianas, mas não resultaram em cessar-fogo.
Steve Witkoff, enviado de Trump, disse à CNN que o presidente russo acenou com possíveis concessões, inclusive na área de garantias de segurança, embora fora do âmbito da Otan. “Os russos fizeram algumas concessões na mesa com relação a todas as cinco regiões”, afirmou.
O secretário de Estado Marco Rubio, que também esteve no encontro, adotou tom mais cauteloso. Em entrevista à ABC, afirmou que ainda há “grandes áreas de discordância” e que um acordo não está próximo. “Não estamos no limite de um acordo de paz, mas acredito que houve progresso”, disse.
Apesar das falas de Trump e seus assessores, Zelensky tem rejeitado a proposta russa de abrir mão de territórios no leste, incluindo Donetsk, dos quais Kiev ainda controla cerca de um quarto. O líder ucraniano busca um cessar-fogo imediato para aprofundar negociações, posição que já contou com apoio de Trump, mas que foi relativizada após o encontro com Putin.
Na agenda desta segunda-feira, Trump se reunirá primeiro com Zelensky no Salão Oval e, em seguida, receberá líderes do Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Finlândia, União Europeia e Otan no Salão Leste da Casa Branca. Segundo o governo americano, a presença europeia busca reforçar pressões por garantias de segurança para Kiev em qualquer acordo.
Enquanto as negociações se desenrolam, a guerra segue ativa. Na noite de domingo, ataques russos com mísseis e drones atingiram Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, deixando sete mortos, entre eles duas crianças, de acordo com autoridades locais.