No local, são produzidos a picape Poer e dois utilitários esportivos, o Haval H9 e o Haval H6, este último um híbrido plug-in, tecnologia cuja bateria que alimenta o motor elétrico é carregada na tomada.
As peças são importadas da China. Porém, durante a cerimônia e, antes, na visita de jornalistas às linhas, foi nítida a preocupação da montadora em ressaltar a diferença em relação à estratégia da BYD, que vai trazer da China automóveis parcialmente montados e que entrou numa polêmica com as montadoras tradicionais instaladas no Brasil ao tentar, sem sucesso, incentivos para importar esses veículos.
Além da armação das carrocerias, a pintura dos carros da GWM é feita em Iracemápolis, e os componentes são importados “peça a peça” – e não em kits pré-montados do sistema CKD -, o que, sustentam os diretores da marca, permite a substituição rápida dos componentes chineses à medida que a empresa avançar no conteúdo local. A montadora informou que já tem 18 fornecedores participando da produção e desenvolvimento dos primeiros veículos, incluindo multinacionais como Basf, Bosch, Continental, Dupont e Goodyear.
A unidade de Iracemápolis conta com 600 trabalhadores e prevê atingir até o fim do ano cerca de mil empregos diretos. Quando iniciar as exportações de veículos para mercados da América Latina, o número de vagas deve chegar a 2 mil.
Em entrevista concedida a um grupo de jornalistas que visitaram a fábrica antes da chegada de Lula, o presidente da GWM International, Parker Shi, disse que não poderia comentar especulações a respeito de uma nova fábrica. Revelou, porém, que o objetivo é futuramente produzir entre 250 mil e 300 mil carros no Brasil. “Não temos medo da competição. Se não investirmos aqui, não teremos futuro”, disse o executivo.
Num momento em que as tarifas levantadas pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos levam as empresas chinesas a buscar novos mercados, Parker Shi destacou a estabilidade nas relações tanto econômicas quanto políticas e diplomáticas da China com parceiros da América Latina. A montadora, frisou, quer investir em mercados confiáveis.
Em relação à possibilidade de aumentar a escala no mercado brasileiro, o presidente da GWM International respondeu que, no momento, o grupo estuda a viabilidade de investimentos em segmentos de maior volume, de preços abaixo de R$ 150 mil.
