Confira as principais informações que devem mexer com os mercados hoje.
No mercado doméstico, às 9h desta quinta-feira (14), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentará os dados de serviços referentes a junho. No mesmo horário, será divulgado o Prisma Fiscal, levantamento mensal realizado pelo Ministério da Fazenda com estimativas do mercado sobre as contas públicas.
No campo corporativo, o dia trará números do segundo trimestre de 2025 (2T25) de empresas de diferentes setores, com destaque para os resultados do Banco Banco do Brasil (BBAS3), que acumula queda de 17% no ano, após fracos resultados do primeiro trimestre de 2025 (1T25) e revisões para baixo nas estimativas. Além do BB, Azul (AZUL4), Qualicorp (QUAL3), 3tentos (TTEN3), Banco BMG (BMGB4), BRF (BRFS3), Cemig (CMIG4), CPFL Energia (CPFE3), Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3), Cyrela Realty (CYRE3), Dasa (DASA3), Eztec (EZTC3), Gafisa (GFSA3), IRB Brasil Resseguros (IRBR3), Lojas Marisa (AMAR3), LWSA (LWSA3), Marfrig (MRFG3), Oi (OIBR3), Oncoclínicas (ONCO3), Ser Educacional (SEER3), Simpar (SIMH3), Trisul (TRIS3) e Yduqs (YDUQ3).
Nos Estados Unidos, a agenda começa às 9h30 com a divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, dado acompanhado de perto por analistas para avaliar o mercado de trabalho. No mesmo horário, será apresentado o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) referente a julho, indicador que mede a variação nos preços pagos aos produtores e serve como referência para avaliar tendências inflacionárias.
Também às 9h30, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês) publicará o relatório semanal de exportação de grãos. Às 15h, está previsto o discurso de Thomas Barkin, membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que poderá trazer pistas sobre a condução da política monetária norte-americana.
O diretor de Regulação, Gilneu Astolfi Vivan, participa, das 8h às 9h, da abertura do evento “ABECIP 2025”, promovido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, em São Paulo. A participação será aberta à imprensa, presencialmente e por transmissão.
Às 11h, o presidente Lula visita e inaugura a nova planta de produção de medicamentos hemoderivados da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), no parque fabril da empresa, em Goiana (PE). Às 15h, visita o Hospital Ariano Suassuna Hapvida, no Recife, para anúncio relacionado ao programa “Agora Tem Especialistas”. Às 17h, participa, também no Recife, da cerimônia de anúncio de investimentos do Governo Federal em regularização fundiária e da entrega de títulos de propriedade a famílias da comunidade Brasília Teimosa.
Brasil
Donald Trump alertou para “graves consequências” caso Vladimir Putin impeça a paz na Ucrânia, mencionando sanções econômicas se a reunião no Alasca, nesta sexta-feira, fracassar. O encontro visa preparar terreno para uma segunda reunião que incluiria Volodymyr Zelenskiy, mantendo a Ucrânia nas negociações. Líderes europeus e Zelenskiy alinharam posições com Trump, defendendo que fronteiras não sejam alteradas pela força e rejeitando concessões territoriais sem aprovação ucraniana. Enquanto isso, a Rússia intensifica ofensivas no leste, aumentando pressão sobre Kiev. Moscou exige retirada ucraniana de quatro regiões e renúncia à adesão à Otan, condições que Kiev considera inaceitáveis.
Donald Trump defendeu que o Federal Reserve reduza os juros para 1%, com corte de três a quatro pontos percentuais. O republicano disse que indicará um novo presidente para o Fed antes do fim do mandato de Jerome Powell, em maio de 2026, e afirmou ter três ou quatro nomes em mente. Entre os cotados, segundo a CNBC, estão David Zervos, Larry Lindsey e Rick Rieder. Trump também ironizou Powell, chamando-o de “incompetente” e mantendo o apelido “atrasado demais”.
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O índice de preços ao consumidor da Argentina subiu 1,9% em julho ante junho, acelerando frente à alta de 1,6% no mês anterior, segundo o Indec. Na comparação anual, a inflação foi de 36,6%, abaixo dos 39,4% de junho, e acumula 17,3% em 2025. O maior avanço mensal foi em recreação e cultura (4,8%), seguido de transportes (2,8%). Já bebidas alcoólicas e tabaco (0,6%) e vestuário e calçados (-0,9%) tiveram as menores variações.
Os abates de bovinos, suínos e frangos no Brasil cresceram no 2º trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o IBGE. Foram 10,40 milhões de bovinos abatidos (+3,3%), com produção de 2,63 milhões de toneladas de carne (+1%). O abate de frangos somou 1,64 bilhão de cabeças (+1,1%), gerando 3,56 milhões de toneladas de carcaças (+2,7%). Já os suínos totalizaram 14,87 milhões de cabeças (+1,6%), com produção de 1,40 milhão de toneladas (+4,7%).
O Brasil teve fluxo cambial positivo de US$118 milhões em agosto até o dia 8, segundo o Banco Central, impulsionado pelo canal financeiro, que registrou entradas líquidas de US$986 milhões. Já o canal comercial apresentou saldo negativo de US$868 milhões no período. Na semana de 4 a 8 de agosto, o fluxo total foi negativo em US$305 milhões. No acumulado de 2025 até 8 de agosto, o saldo é negativo em US$14,528 bilhões.
O governo federal lançou um pacote de medidas para reduzir o impacto da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, incluindo uma linha de crédito de R$ 30 bilhões com juros subsidiados, formalizada por Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enviada ao Congresso. O plano quer preservar empregos, manter a competitividade das exportações e buscar novos mercados, com prioridade para micro e pequenas empresas e setores de alimentos perecíveis.
Outras ações incluem ampliação do Reintegra, prorrogação do drawback, reforma do Fundo de Garantia à Exportação, compras governamentais de produtos afetados e intensificação da diplomacia comercial. O governo também prevê contestar formalmente as tarifas na Organização Mundial do Comércio e reforçar negociações com China, Índia e países da Asean.
O governo Lula vai pedir ao Congresso autorização para excluir da meta fiscal de 2025 R$ 9,5 bilhões do pacote de socorro às empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA. O valor corresponde a aportes em fundos garantidores e devolução de impostos via Reintegra. Inicialmente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia afirmado que essas medidas seriam computadas na meta, mas a inclusão do Reintegra levou à revisão. O governo dialogou com Congresso e TCU, e o projeto de lei complementar será discutido para formalizar a exclusão. A prioridade será definir setores beneficiados, exigindo que empresas mantenham empregos e sigam critérios de flexibilidade fiscal.
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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a MP do governo Lula é importante para proteger setores produtivos diante das tarifas dos EUA, e que causas maiores transcendem ideologias. Ele reforçou o papel do Parlamento como parceiro do Brasil e o compromisso em proteger empresas, trabalhadores e consumidores. Motta participou do anúncio das medidas na quarta-feira (13), garantindo celeridade na execução do pacote.
O economista e especialista em investimentos Danilo Coelho disse ao InfoMoney que a linha de crédito anunciada pelo governo pode dar um fôlego inicial às empresas impactadas pelas tarifas dos Estados Unidos, ajudando a manter a produção e o emprego no curto prazo. No entanto, ele considera que a medida não é suficiente para resolver o problema no longo prazo.
Coelho afirma que, para reduzir o impacto, seria necessário ampliar canais de exportação para outros países, tarefa difícil diante do peso do consumo americano. Ele alerta que, apesar de apoiar a atividade, o pacote pode pressionar as contas públicas e elevar a percepção de risco do Brasil, com efeitos sobre juros e câmbio.
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Durante assinatura da MP contra as tarifas dos EUA, Lula afirmou que o Brasil não adotará retaliação imediata e manterá o diálogo, reforçando que a soberania é intocável. O presidente também criticou a estratégia americana de criar inimigos e ressaltou que a crise é oportunidade de inovação.
Motta apresentou a pauta do segundo semestre de 2025, excluindo projetos caros à oposição, como o fim do foro privilegiado e a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. As prioridades incluem PEC da Segurança Pública, novo Plano Nacional de Educação, Reforma Administrativa, ampliação da faixa de isenção do IR, regulamentação da inteligência artificial e medidas contra fraudes no INSS. Motta destacou também a proteção de crianças e adolescentes contra exposição inadequada em conteúdos digitais. A agenda permanece aberta a prioridades partidárias, mas a ausência de pautas da oposição sinaliza possíveis embates e obstruções.
A Câmara aprovou R$ 10,5 bilhões em emendas de comissão sem debate, transparência ou divulgação dos beneficiários, recebendo a pauta apenas no momento da sessão. A votação acelerada contraria determinação do STF, que exige discussão e publicidade sobre autoria e destino dos recursos. A estratégia foi articulada por Hugo Motta para reforçar sua autoridade após obstruções no plenário. O modelo mantém forte controle sobre a distribuição, mas segue criticado pelo Supremo por falta de transparência.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram em Washington com integrantes do governo Trump para tratar da política brasileira e possíveis novas sanções a autoridades do país. A agenda coincidiu com o cancelamento de encontro entre Haddad e o governo americano. Eles apresentaram relatórios sobre o STF, Congresso e posições de líderes legislativos, defendendo anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e impeachment de Alexandre de Moraes. O relatório também aborda a aplicação da lei Magnitsky e possíveis sanções a ministros e familiares com bens nos EUA.
Lula afirmou que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fornece “informações deformadas e erradas” a Donald Trump, dizendo que ele e aliados instigam ações contra o Brasil. O presidente também declarou que o deputado poderá ser julgado pelos atos, classificando-os como crime de traição à Pátria. Eduardo, nos EUA, articula sanções contra o país e autoridades, incluindo medidas relacionadas à Lei Magnitsky e ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.
A deputada Carla Zambelli (PL-SP) seguirá presa após audiência de extradição na Itália, retomada após atendimento médico. Não houve decisão sobre prisão domiciliar ou liberdade durante o processo, que pode durar de um ano e meio a dois anos. A defesa cita questões de saúde, e um perito italiano avaliará seu estado antes de qualquer mudança. Zambelli foi condenada pelo STF por envolvimento em invasão de sistemas do CNJ e perdeu o cargo na Câmara.
A JBS (BDR: JBSS32), maior empresa de carnes do mundo, anunciou nesta quarta-feira um salto no lucro do segundo trimestre e uma receita trimestral recorde de cerca de US$ 21 bilhões, apesar de um ciclo da pecuária bovina nos EUA ainda desafiador e das tensões geopolíticas globais, de acordo com um comunicado ao mercado.
A companhia, que divulgou seus resultados pela primeira vez após listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, registrou lucro líquido de US$ 528,1 milhões no segundo trimestre, uma alta de 60,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A Casas Bahia (BHIA3) divulgou nesta quarta-feira um prejuízo líquido de R$555 milhões no segundo trimestre, revertendo lucro de R$37 milhões apurado um ano antes, em resultado penalizado por juros elevados e por uma base de comparação “ruim”.
O desempenho negativo veio apesar de evolução operacional no período, no qual o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 26,5% no comparativo anual, para R$572 milhões, conforme relatório de resultados.
(Com Reuters e Estadão)