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Morre o Comandante James Lovell, Astronauta que Liderou a Tripulação do Apolo 13
Morre o Comandante James Lovell, Astronauta que Liderou a Tripulação do Apolo 13
09/08/2025 07h28
Por: Redação Fonte: Gazeta Brasil

Morre o Comandante James Lovell, Astronauta que Liderou a Tripulação do Apolo 13.

 

O astronauta norte-americano James Lovell, comandante da histórica missão Apollo 13 e figura central da era de ouro da exploração espacial, morreu aos 97 anos em Lake Forest, Illinois. A informação foi confirmada pela NASA em comunicado divulgado nesta sexta-feira (data local).

A agência espacial destacou que o “caráter e a coragem inabalável” de Lovell ajudaram os Estados Unidos a chegar à Lua e transformaram “uma possível tragédia em um sucesso do qual aprendemos muito”. Sua morte marca o fim de uma era para a geração pioneira de astronautas que protagonizou a corrida espacial.

Lovell participou de quatro missões espaciais — Gemini 7, Gemini 12, Apollo 8 e Apollo 13 — tornando-se um dos astronautas mais experientes da primeira década da NASA.

Em 1968, integrando a tripulação do Apollo 8 ao lado de Frank Borman e William Anders, participou da primeira missão a deixar a órbita terrestre e circunavegar a Lua. A icônica foto da Terra vista do espaço e a leitura do Gênesis feita pela tripulação na véspera de Natal se tornaram símbolos de esperança em um ano conturbado para os Estados Unidos.

Lovell participou de quatro missões espaciais, incluindo Apollo 8 e Apollo 13. (Foto AP/Dave Taylor, Arquivo)

Dois anos depois, em abril de 1970, Lovell se preparava para se tornar o quinto ser humano a pisar na Lua durante a missão Apollo 13. Porém, uma explosão no tanque de oxigênio do módulo de serviço transformou o sonho em uma luta pela sobrevivência. Ao lado de Fred Haise e Jack Swigert, enfrentou quatro dias de condições extremas, confinados no módulo lunar e com recursos limitados de oxigênio, água e energia.

A famosa frase “Houston, temos um problema” — popularizada pelo filme de 1995 e frequentemente atribuída a Lovell — simbolizou a gravidade da situação. Graças à engenhosidade da equipe em terra, liderada pelo diretor de voo Gene Kranz, e ao sangue-frio dos tripulantes, foi possível usar o módulo lunar como bote salva-vidas, orbitar a Lua e retornar em segurança à Terra.

“Em certo sentido, foi um sucesso. Não porque tenhamos atingido o objetivo, mas porque mostramos a capacidade da equipe da NASA de superar o impossível”, disse Lovell anos depois.

(Foto AP/Kamil Krzaczynski)

Ao longo das quatro missões, Lovell acumulou 715 horas, 4 minutos e 57 segundos no espaço, um recorde até o início dos voos do programa Skylab, na década de 1970. Em 1995, recebeu do presidente Bill Clinton a Medalha de Honra Espacial do Congresso.

Apesar do reconhecimento mundial, o astronauta admitiu que seu único arrependimento foi não ter caminhado sobre a superfície lunar. Ainda assim, seu papel na Apollo 13 consolidou sua imagem como o exemplo máximo de liderança e serenidade em situações de crise.

Nascido em 25 de março de 1928 em Cleveland, Ohio, Lovell formou-se na Academia Naval dos Estados Unidos e atuou como piloto de testes antes de ingressar na NASA, em 1962, como parte do grupo apelidado de “os próximos nove”. Ele foi o último sobrevivente desse seleto time.

Após se aposentar da Marinha e do programa espacial, em 1973, dedicou-se ao setor privado, coescreveu o livro “Lost Moon” — que inspirou o filme Apollo 13 — e chegou a administrar um restaurante em Illinois. Sua esposa, Marilynn, faleceu em 2023. Ele deixa quatro filhos.

Em nota, a família descreveu Lovell como seu “herói” e afirmou: “Sentiremos falta de seu otimismo inabalável, de seu senso de humor e da maneira como nos fazia acreditar que podíamos alcançar o impossível. Ele era verdadeiramente único.”