Trump diz a líderes europeus que pretende se reunir com Putin e Zelensky.
Presidente dos EUA enviou emissário a Moscou, anunciou “avanços” e prepara reunião direta com Zelensky e Putin em meio à escalada militar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (6) que está próximo de realizar uma reunião direta com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, como parte de uma ofensiva diplomática para encerrar a guerra na Ucrânia, segundo o jornal americano The New York Times.
A movimentação ocorre dois dias antes do vencimento de um ultimato imposto por Trump ao Kremlin, que ameaça a Rússia com sanções econômicas de 100% caso não cesse os combates até sexta-feira (8).
O plano de Trump inclui também uma possível reunião trilateral com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Caso ocorra, será o primeiro encontro direto entre os líderes de Rússia e Ucrânia desde o início da guerra, há mais de três anos.
A nova investida diplomática foi antecedida por uma reunião no Kremlin entre Putin e Steve Witkoff, enviado especial de Trump e empresário próximo do republicano, conforme relatos do jornal.
Segundo Trump, o encontro foi “altamente produtivo” e gerou “grandes avanços”. Em sua rede Truth Social, o presidente americano afirmou que atualizou aliados europeus e Zelensky por telefone sobre os desdobramentos da conversa.
Moscou adotou tom semelhante. O assessor presidencial russo Yury Ushakov descreveu a conversa como “construtiva” e disse ter havido uma “troca de sinais” com Washington. Os russos, porém, não detalharam o que teriam oferecido ou solicitado. O gesto foi interpretado como tentativa do Kremlin de ganhar tempo para evitar o pacote de sanções prometido por Trump.
A reunião ocorre no contexto de uma escalada de tensões. Desde a semana passada, os EUA moveram dois submarinos nucleares para o Mar Báltico em resposta a ameaças de Dmitri Medvedev, ex-presidente russo, que mencionou o uso do sistema de retaliação atômica “Mão Morta”.
A conta do conflito
O movimento de Trump busca não apenas pressionar Moscou, mas também aumentar o custo do apoio internacional à Rússia. O presidente americano já sinalizou que pode impor tarifas adicionais a países que mantêm comércio com o Kremlin, como China e Índia. A estratégia amplia o cerco econômico iniciado no primeiro mandato e mira especialmente os parceiros do chamado grupo BRICS.
“Vamos ver o que acontece. A determinação será feita neste momento”, disse Trump, ao ser questionado por jornalistas sobre possíveis sanções.
A postura econômica firme se dá em meio a novos bombardeios russos na Ucrânia. Segundo autoridades de Kiev, ataques na região de Zaporizhzhia deixaram ao menos dois mortos na madrugada desta quarta-feira. Ao mesmo tempo, o Exército russo afirmou ter interceptado 51 drones ucranianos, mantendo o alto ritmo de combates.
Pressão militar e impasse diplomático
Apesar da ofensiva diplomática de Trump, as condições exigidas por Putin para encerrar a guerra seguem consideradas inaceitáveis por Kiev. Moscou quer o reconhecimento da anexação da Crimeia e de quatro regiões parcialmente ocupadas — Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson — além da renúncia da Ucrânia ao fornecimento de armas ocidentais e à sua intenção de aderir à Otan.
Zelensky, por sua vez, afirmou que “a pressão sobre a Rússia está funcionando” e pediu que EUA, Europa e o G7 reforcem “todas as alavancas possíveis” contra o regime de Putin.
Enquanto isso, aliados europeus intensificam a ajuda militar à Ucrânia. Suécia, Dinamarca e Noruega anunciaram um pacote de US$ 500 milhões em armas e equipamentos de defesa, incluindo sistemas aéreos e munições. A iniciativa faz parte de um projeto coordenado por Trump e pelo novo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que prevê a compra de armamento americano por países europeus.