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Revolução Acreana completa 123 anos com ações do Estado que valorizam a força e a identidade do povo acreano

Há 123 anos a emblemática frase “Não é festa. É revolução!”, era dita por Plácido de Castro ao comandante da guarnição boliviana, em Xapuri, no dia...

06/08/2025 às 09h23
Por: Redação Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Há 123 anos a emblemática frase “Não é festa. É revolução!”, era dita por Plácido de Castro ao comandante da guarnição boliviana, em Xapuri, no dia 6 de agosto de 1902, dando início à série de batalhas armadas que resultou na incorporação do território do Acre, que era parte da Bolívia, ao Brasil. O episódio histórico, que marcou a intensificação do movimento conhecido como Revolução Acreana, é celebrado em todo o estado nesta quarta-feira, 6.

Além de diversas atividades, homenagens e eventos que resgatam a memória, ressaltam a importância histórica e cultural, valorizando a força e identidade do povo acreano, a data é marcada por ações e políticas públicas estaduais que materializam o trabalho do governo pelo progresso e o desenvolvimento do Acre.

Gladson Camelí foi o primeiro governador a participar de festival indígena em Porto Walter com o povo Arara, na região do Juruá. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Gladson Camelí foi o primeiro governador a participar de festival indígena em Porto Walter com o povo Arara, na região do Juruá. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Sempre que se manifesta sobre o tema, o governador Gladson Camelí diz que a revolução do passado inspira as ações de seu governo no presente e que celebrar a Revolução Acreana é também reafirmar o compromisso com a democracia, o desenvolvimento e a justiça social, fazendo ecoar os ideais revolucionários defendidos em 1902.

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“Honrar essa história é fazer um governo que respeita a identidade do nosso povo. Se no passado a luta era por autonomia, hoje é por progresso, e por isso nosso governo trabalha para cuidar das pessoas com investimentos em infraestrutura, saúde, educação, valorização da agricultura familiar, programas voltados à inclusão social”, declarou.

A bandeira do Acre carrega simbologia da luta armada de um povo que fez revolução para pertencer ao Brasil. Foto: Pedro Devani/Secom
A bandeira do Acre carrega simbologia da luta armada de um povo que fez revolução para pertencer ao Brasil. Foto: Pedro Devani/Secom

Para o governador, o Acre de hoje é resultado da resistência de ontem e da capacidade de se reinventar diante dos desafios. “O povo acreano merece seguir avançando, mas sem esquecer nossas raízes, porque só progride quem reconhece de onde veio”, concluiu.

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Ao participar do Festival do Povo Shawãdawa, realizado na Aldeia Foz do Nilo, em Porto Walter, o governador Gladson Camelí tornou-se o primeiro governante do Estado a estar na terra do Povo Arara naquela região , resgatando, ao longo de suas gestões, os vínculos da história com os povos originários, cuja participação é suprimida ou pouco lembrada nas narrativas que dominam a historiografia sobre os eventos acerca da Revolução Acreana.

Tropas entrincheiradas durante batalha da Revolução Acreana. Foto: Acervo Histórico/Internet
Tropas entrincheiradas durante batalha da Revolução Acreana. Foto: Acervo Histórico/Internet

Eventos narrados pela historiografia

“Foram exatos 170 dias. Do dia 6 de agosto de 1902 até o dia 24 de janeiro de 1903, quando se deu a rendição final das tropas bolivianas, a Revolução Acreana, que começou em Mariscal Xucre (hoje Xapuri), localidade que na época era ocupada por bolivianos, e terminou em Puerto Alonso (atual Porto Acre), pode ser considerada um dos episódios mais importantes da nossa história durante o século 20", escreveu o jornalista e historiador Stalin Melo.

Ainda de acordo com este e outros historiadores acreanos, a Revolução Acreana foi marcada pela liderança de Plácido de Castro, gaúcho de 26 anos que já tinha lutado anos antes na Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, e estava no Acre para trabalhar como agrimensor e, por isso, acabou sendo o responsável por organizar um exército de seringueiros, comerciantes, moradores e trabalhadores da floresta para se insurgirem contra o domínio boliviano.

Plácido Castro, considerado o responsável por arregimentar e liderar as pessoas que lutaram na Revolução Acreana. Foto: Acervo Histórico/Internet
Plácido Castro, considerado o responsável por arregimentar e liderar as pessoas que lutaram na Revolução Acreana. Foto: Acervo Histórico/Internet

A ocupação do Acre por brasileiros já ocorria desde a década de 1880, motivada pelo ciclo da borracha, o “ouro branco”, que transformaria a floresta em rota de disputas econômicas. A chegada de nordestinos, que fugiam da seca e viam na floresta uma chance de recomeço, atraiu a atenção para uma região que, até então, despertava pouco interesse do governo boliviano, por ser de difícil acesso. Quando a Bolívia passou a cobrar impostos pela exploração da borracha, os ânimos se acirraram.

A historiografia acerca do período narra que a Revolução, que começou como uma disputa pelo controle da borracha, envolveu diversas fases: a insurreição de 1899, o Estado Independente do Acre, a breve República proclamada por Luís Galvez e a chamada Expedição dos Poetas. Todas ajudaram a consolidar o sentimento de pertencimento brasileiro e pavimentar a formação de um novo estado do Brasil.

Em Xapuri, antiga Mariscal Xucre, teve início a Revolução com a primeira batalha vencida sobre os bolivianos. Foto: Acervo Secom
Em Xapuri, antiga Mariscal Xucre, teve início a Revolução com a primeira batalha vencida sobre os bolivianos. Foto: Acervo Secom

A ofensiva vitoriosa começou estrategicamente no dia em que a Bolívia comemorava sua independência, uma vez que, para eles, o dia 6 de agosto é o que significa o 7 de setembro para os brasileiros. Aproveitando a distração da “festa boliviana”, Plácido e sua tropa tomaram Xapuri, poupando munição para os embates que estavam por vir nos próximos meses.

Conforme descreveu Melo, não houve disparo de tiros, dada a vantagem da suposta embriaguez alcoólica dos bolivianos, e, a partir daí, em menos de seis meses, as tropas organizadas por Plácido de Castro venceram as resistências bolivianas. Em Puerto Alonso (atual Porto Acre), o confronto terminou em janeiro de 1903 quando, prestes a acontecer o ataque decisivo, veio o sinal de paz, uma bandeira branca que simbolizava a derrota boliviana em sua última posição militar. Lino Romero tirou a espada e a entregou a Plácido de Castro, que, emocionado, disse: “Senhor coronel, não fazemos a guerra senão para conquistar o que é nosso”.

Puerto Alonso, atual Porto Acre, foi o local onde findou a Revolução Acreana, com a rendição da tropa boliviana seis meses após a primeira batalha. Foto: Acervo Histórico/Internet
Puerto Alonso, atual Porto Acre, foi o local onde findou a Revolução Acreana, com a rendição da tropa boliviana seis meses após a primeira batalha. Foto: Acervo Histórico/Internet

Posteriormente, a assinatura do Tratado de Petrópolis, fruto da diplomacia brasileira conduzida pelo Barão do Rio Branco, oficializou a anexação do Acre ao Brasil em 17 de novembro de 1903, e em setembro de 1909 o Tratado do Rio de Janeiro ajustou os limites com o Peru, consolidando a soberania brasileira sobre a região, incorporando 152 mil quilômetros quadrados de terras, antes bolivianas, ao Brasil.

Com isso, a história da Revolução, narrada em livros, contada em trechos do hino acreano e até mesmo na minissérie “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, exibida pela TV Globo em 2007, segue viva na memória popular e é também tema constante nas escolas e nas ações de governo voltadas à valorização da história acreana.

Cena da minissérie ‘Amazônia: de Galvez a Chico Mendes’, que retrata a Revolução Acreana para a TV aberta. Foto: G1/Reprodução TV Globo
Cena da minissérie ‘Amazônia: de Galvez a Chico Mendes’, que retrata a Revolução Acreana para a TV aberta. Foto: G1/Reprodução TV Globo

Resgatando a presença dos povos originários

Apesar da predominância das narrativas que enaltecem a bravura e resistência dos seringueiros que se insurgiram contra o domínio boliviano, historiadores contemporâneos como o professor Sérgio Souza, da Universidade Federal do Acre (Ufac), chamam a atenção para a necessidade de revisitar a história sob outras lentes e reconhecer que o movimento ocorreu em terras já ocupadas por povos originários, como em todo o território do Brasil.

“Foi um processo de colonização que excluiu os povos originários. O Acre já era habitado antes de bolivianos e seringueiros disputarem o território”, pontua. Para ele, o Acre foi inventado pela lógica colonial e pela força do mercado da borracha que explorou a mão de obra local.

“A chamada Revolução Acreana é parte de um processo de expansão do mundo moderno colonial, cuja lógica é desenvolver processos intensos de racialização [processo em que grupos passam a ser designados como pertencentes a uma “raça” específica para justificar um tratamento desigual] de populações colonizadas, de exploração de suas riquezas de seus territórios e dessa mão de obra”, explica.

Mais de 20 festivais indígenas constam no atual calendário oficial do Acre. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Mais de 20 festivais indígenas constam no atual calendário oficial do Acre. Foto: Marcos Vicentti/Secom

Em outras palavras, segundo ele, a Revolução Acreana foi uma disputa pela seringa em abundância que a região mantinha em uma época que a matéria-prima, no caso a borracha, estava em alta no mercado internacional e, portanto, faz-se necessário lembrar que, “na verdade, foi um processo de colonização e que é preciso reconhecer os demais atores dessa história”: indígenas que, antes de bolivianos e seringueiros, já ocupavam este território que, mais tarde, veio a atrair os mais de 20 mil outros brasileiros, em sua maioria nordestinos, que migraram para a região em busca de sobrevivência.

Esse recorte reforça o sentimento de orgulho e de pertencimento que permanece forte na cultura do povo acreano, resultado da soma de múltiplas heranças: indígenas, nordestinas e amazônicas – numa região marcada pela tríplice fronteira com rios que unem histórias-, que ainda guardam nos hábitos e na linguagem os traços dessa trajetória de luta.

Látex da seringueira, o chamado ‘ouro branco’ que atraiu a atenção do mundo para o território acreano no século passado. Foto: Acervo Secom
Látex da seringueira, o chamado ‘ouro branco’ que atraiu a atenção do mundo para o território acreano no século passado. Foto: Acervo Secom

Mais de um século depois, o espírito de resistência e superação permanece vivo. A defesa do Acre é hoje feita com investimentos pelo governo do Estado, que trabalha com o mesmo espírito de coragem e transformação. Assim como os revolucionários acreanos lutaram por dignidade, a atual gestão estadual atua na implementação de políticas públicas para garantir oportunidades e desenvolvimento socioeconômico para a população acreana.

A imensidão da floresta que ainda hoje resiste e cobre a maior parte do território acreano conquistado para o Brasil. Foto: Acervo Secom
A imensidão da floresta que ainda hoje resiste e cobre a maior parte do território acreano conquistado para o Brasil. Foto: Acervo Secom

Ao longo de seus mandatos, o governador Gladson Camelí tem trabalhado para fortalecer essa história, resgatar as raízes e unir o desenvolvimento à preservação, dando espaço para que cada ator deste contexto dialogue entre si e consiga resultados positivos, que impactam diretamente em melhorias para a população.

“Como gestor de um estado, tenho consciência que só podemos avançar cada vez mais olhando para trás, conhecendo nossa história, para que a gente consiga progredir respeitando todos os setores e ouvindo quem tem propriedade para falar. Se antes a luta era por território e soberania, agora é por cidadania plena, sustentabilidade e qualidade de vida. Governo para todas as pessoas de forma democrática, reconhecendo o passado, dialogando no presente, planejando o futuro com responsabilidade e tomando decisões com base naquilo que é melhor para o povo”, afirma Camelí.

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