O Ebitda ajustado foi de US$ 246 milhões (excluindo US$ 12 milhões em despesas da Eve), 40% acima em relação às projeções do JPMorgan.
Em meio ao turbilhão sobre as tensões entre Brasil-EUA, a Embraer (EMBR3) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2025 (2T25) trazendo boas notícias, de acordo com analistas de mercado.
Contudo, com atenções aos últimos desdobramentos, os papéis têm um dia volátil. O início da sessão apontava para ganhos: no pré-market da Bolsa de Nova York, os ADRs (recibo de ações negociados nos EUA) já subiam 3,90%, a US$ 60, às 9h30 (horário de Brasília); já na abertura da B3, às 10h11, os ativos avançavam 3%, a R$ 82,40. Contudo, os papéis zeraram as altas e, às 11h, tinham leve alta de 0,19%, a R$ 80,15.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado foi de US$ 246 milhões (excluindo US$ 12 milhões em despesas da Eve), 40% acima em relação às projeções do JPMorgan e 35% além em relação ao consenso, crescendo 29% em relação ao ano anterior.
Os principais pontos positivos foram: i) a receita cresceu 22%, para US$ 1,8 bilhão, com o segmento de Aviação Executiva crescendo 64% em relação ao ano anterior, para US$ 336 milhões; ii) A margem EBIT (lucro antes de juros e impostos/receita líquida) ajustada ficou em 10,5%, superando a projeção da empresa de 7,5% a 8,3%, o que, na visão do JPMorgan, traz risco de alta para a projeção; iii) as despesas gerais, administrativas e de vendas (SG&A) foram de US$ 142 milhões, em linha com a projeção do JPMorgan e 15% acima em relação ao ano anterior, crescendo abaixo da receita líquida; e iv) as tarifas americanas não tiveram impacto significativo nos resultados do 2T.
Os principais pontos negativos foram: i) os resultados financeiros líquidos foram piores do que o esperado, em US$ 114 milhões, contra US$ 10 milhões do esperado pelo banco americano; ii) a margem Ebit na Aviação Comercial foi de 4,2%, contra 4,4% há um ano, mas essa contração é explicada por um imposto extraordinário no 2T24; o mesmo aconteceu com a margem EBIT de Serviços e Suporte, que caiu para 15,5% no 2T25, contra 17,5% no 2T24, já que este trimestre incluiu uma provisão de crédito.
“Esperamos uma reação positiva hoje devido às margens mais fortes do que o esperado, mostrando a melhora contínua na lucratividade da empresa”, destacam os analistas do JPMorgan, ressaltando que o resultado pode ser um catalisador para novas máximas.
Cabe destacar que, na semana passada, os ativos da EMBR3 tiveram um movimento de forte euforia após o decreto dos EUA aumentando tarifas comerciais para produtos do Brasil excluir aeronaves e algumas peças da lista que sofreria o aumento da taxação para 50%. A taxação ficou em 10%. Na ocasião, o JPMorgan reforçou recomendação overweight (exposição acima da média) para as ações da companhia e destacou esperar que os papéis atingissem novas máximas históricas em breve.
O Goldman Sachs, por sua vez, aponta que a Embraer reportou receita no 2T25 2% acima do consenso e Ebitda ajustado 29% acima do consenso, com margem Ebitda superando o consenso em 280 pontos-base.
Saiba mais:
“O caixa livre ficou relativamente em linha com nosso modelo. A carteira de pedidos (backlog) cresceu dois dígitos percentuais em relação ao ano anterior e sequencialmente. A empresa reiterou a projeção para 2025, que inclui o consenso”, ressalta o Goldman, que também possui recomendação de compra para os ADRs ERJ, com preço-alvo de US$ 60.
A companhia reiterou previsões de entregas de aviões para este ano, com expectativa de envio a clientes de 77 a 85 aeronaves comerciais e entre 145 e 155 jatos executivos.
A companhia segue esperando uma receita total no ano de US$ 7 bilhões a US$ 7,5 bilhões, com uma margem Ebit ajustada de 7,5% a 8,3% e um fluxo de caixa livre ajustado de pelo menos 200 milhões de dólares.