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Rússia ameaça posicionar mísseis após fim de pacto nuclear com os EUA

Rússia ameaça posicionar mísseis após fim de pacto nuclear com os EUA

05/08/2025 às 12h38
Por: Redação Fonte: Gazeta Brasil
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Rússia ameaça posicionar mísseis após fim de pacto nuclear com os EUA

Rússia ameaça posicionar mísseis após fim de pacto nuclear com os EUA.

 

O Kremlin anunciou nesta segunda-feira (5) que a Rússia já não se considera mais sujeita a restrições para o desenvolvimento e o posicionamento de mísseis de curto e médio alcance. A medida, que marca um novo endurecimento da postura militar russa, ocorre em meio à crescente tensão com os Estados Unidos e seus aliados.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o país “já não se considera limitado por nada” nesse campo e ressaltou que Moscou tem o direito de tomar “as medidas apropriadas, se necessário”.

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“Rússia já não tem nenhuma restrição neste assunto”, disse Peskov em coletiva de imprensa. Ele também afirmou que eventuais decisões sobre o uso ou não desse tipo de armamento não serão divulgadas, por se tratar de uma questão militar sensível.

A declaração ocorre poucas horas após o Ministério das Relações Exteriores da Rússia formalizar o fim da moratória sobre o uso desses mísseis, imposta unilateralmente pelo próprio país em 2019, logo após a saída do Tratado INF (Forças Nucleares de Alcance Intermediário). O acordo, assinado em 1987 entre os Estados Unidos e a então União Soviética, proibia mísseis terrestres com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.

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Moscou abandonou oficialmente o tratado em agosto de 2019, um dia após Washington anunciar sua retirada. Agora, segundo o comunicado da chancelaria russa, “as condições para manter a moratória desapareceram” e a Federação Russa “não se considera mais vinculada” a essas limitações.

O governo russo culpa os Estados Unidos e seus aliados pela retomada da corrida armamentista. O Kremlin afirma que chegou a propor uma moratória recíproca à Otan e a países da região Ásia-Pacífico, mas que a iniciativa foi ignorada.

“Os EUA e seus aliados não apenas anunciaram publicamente planos de posicionamento de mísseis de curto e médio alcance em diferentes regiões, como também avançaram significativamente na implementação prática dessas intenções”, acusou o Ministério das Relações Exteriores.

A escalada militar entre as potências se intensificou nesta semana após o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre o envio de dois submarinos nucleares como resposta a supostas ameaças da Rússia. Três dias depois, Moscou encerrou formalmente sua promessa unilateral de não utilizar esse tipo de armamento.

O presidente russo Vladimir Putin já havia antecipado a possibilidade em dezembro do ano passado, ao alertar que o aumento da presença militar dos EUA poderia levar ao fim da moratória.

Além das tensões militares, Moscou também reagiu às recentes declarações de Trump sobre a relação energética entre Índia e Rússia.

O presidente norte-americano ameaçou impor tarifas ao governo indiano caso continue comprando petróleo russo.

Peskov classificou a ameaça como “ilegítima” e defendeu o direito de cada país de escolher livremente seus parceiros comerciais. “É inaceitável obrigar países a romper suas relações comerciais com a Rússia”, afirmou.

O Tratado INF foi um dos principais marcos do controle de armas durante o fim da Guerra Fria. Desde a sua dissolução, não há mais um acordo bilateral que limite a proliferação de mísseis dessa categoria. O único tratado ainda em vigor entre as potências nucleares é o Novo START, que limita o número de ogivas nucleares estratégicas e tem validade até fevereiro de 2026. A Rússia suspendeu sua participação nas inspeções previstas no tratado em 2023, após o início da guerra na Ucrânia, mas ainda não o denunciou formalmente.

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