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Governo dos EUA diz que Moraes é 'violador de direitos humanos' após prisão de Bolsonaro
Governo dos EUA diz que Moraes é 'violador de direitos humanos' após prisão de Bolsonaro
05/08/2025 06h45
Por: Redação Fonte: Agência CBN Globo

Governo dos EUA diz que Moraes é 'violador de direitos humanos' após prisão de Bolsonaro.

 

Houve manifestação, nessa segunda-feira (4), do Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos..

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro gerou reações do governo dos Estados Unidos, em meio a expectativa para a entrada em vigor do tarifaço contra o Brasil. Houve manifestação, nessa segunda-feira (4), do Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Eles fizeram uma publicação nas redes sociais criticando o ministro Alexandre de Moraes, por determinar a prisão domiciliar do ex-presidente.

Em uma publicação na rede social X, o órgão do governo do presidente Donald Trump afirmou que Moraes é um "violador de direitos humanos" que usa as instituições brasileiras para "silenciar a oposição e ameaçar a democracia".

Preso por ter descumprido ordem de não usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, o ex-presidente Jair Bolsonaro vai ficar em casa, em um condomínio de luxo de Brasília, distante cerca de 20 quilômetros do Plano Piloto. Ele só vai poder sair, por exemplo, para ir ao médico ou consultas com autorização do STF.

E pode ter a prisão domiciliar convertida em prisão preventiva, aquela em que a pessoa fica em uma unidade prisional, se descumprir alguma nova determinação. Como a prisão, neste momento, é domiciliar, Bolsonaro não passa por exame de corpo de delito. Mas está proibido de usar celular, redes sociais e só pode receber visita de advogados: que não podem filmar, tirar fotos ou entrar na casa dele com aparelhos eletrônicos. Outras pessoas que quiserem visitá-lo vão precisar pedir, antes, autorização do STF.

Ao decretar a prisão, o ministro Alexandre de Moraes disse que o desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que o próprio filho do réu, o senador Flávio Bolsonaro, decidiu remover a postagem. Em entrevista à CNN, Flávio Bolsonaro repetiu que o pai está sendo perseguido e revelou que chegou a consultar os advogados sobre a postagem:

"É mais um capítulo triste na história do Brasil em que nós agora estamos oficialmente numa ditadura onde uma única pessoa sozinha, ela decreta a prisão de um ex-presidente da República. Uma pessoa honesta, uma pessoa correta, um jogo de cartas marcadas, eu não tenho restrição nenhuma. E já que o presidente Bolsonaro está apenas fazendo uma saudação para as pessoas que estão ali em Copacabana, não durou 15 segundos a fala dele, eu não vi problema nenhum. Assim como os advogados do Bolsonaro também não viram problema nenhum".

O vereador Carlos Bolsonaro passou mal ao saber da prisão do pai e foi levado a um hospital da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Nos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro chamou o ministro Alexandre de Moraes de "violador dos direitos humanos" e disse que a decisão contra o pai dele é "autoritária".

A segunda prova citada pelo ministro Alexandre de Moraes para justificar a prisão domiciliar de Bolsonaro foi uma ligação do deputado Nikolas Ferreira para o ex-presidente durante a manifestação em São Paulo:

"Posso falar uma coisa para vocês, senhores? Jair Bolsonaro não pode falar, mas ele pode ver. Isso daqui, Jair Bolsonaro, é a tua força, mesmo estando preso dentro de casa. Essa é a sua força, a sua voz, as sementes que você deixou para o nosso país".

Ao determinar a prisão dele, o ministro frisou que Bolsonaro teve “participação dissimulada” nos atos e que preparou material “pré-fabricado" com clara "conduta ilícita de tentar coagir o STF. Moraes citou que Bolsonaro teve claro intuito de obstruir a Justiça e que o STF não vai permitir que “um réu faça a Justiça de tola, achando que ficará impune por ter poder político e econômico”.