Cinco mineiros permanecem presos na mina El Teniente, no Chile, enquanto as autoridades enfrentam a contagem regressiva das 48 horas consideradas críticas para o resgate. A mina, localizada na região de O’Higgins, a cerca de 120 km ao sul de Santiago, é a maior mina subterrânea de cobre do mundo e pertence à estatal Codelco.
O acidente ocorreu na tarde de quinta-feira (31), após um desabamento causado por um sismo de magnitude 4,2 a 500 metros de profundidade, no setor conhecido como Andesita, uma das áreas mais profundas da mina. Um trabalhador, identificado como Paulo Marín, morreu, e ao menos nove pessoas ficaram feridas — todas já foram resgatadas e estão fora de risco.
Desde então, cerca de 100 brigadistas atuam sem parar para tentar alcançar os cinco mineiros soterrados. Os trabalhadores são funcionários da empresa terceirizada Gardilcic, e as equipes de resgate contam com tecnologia de geolocalização para determinar o ponto exato onde eles estariam. No entanto, até o momento, não houve contato com os trabalhadores, o que impede saber se estão vivos ou qual é seu estado de saúde.
Na manhã deste sábado (2), o presidente Gabriel Boric visitou a sede da Codelco em Rancagua, na região de O’Higgins, e se reuniu com familiares dos trabalhadores desaparecidos.
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O presidente-executivo da Codelco, Rubén Alvarado, informou em entrevista coletiva na noite de sexta-feira (1º) que os socorristas conseguiram avançar cerca de quatro metros em direção ao local onde os mineiros estariam — de um total de 20 metros previstos. “Ainda não conseguimos contato, mas a redução na atividade sísmica tem permitido trabalhar com mais fluidez”, disse. Ele ressaltou que as primeiras 48 horas são fundamentais para estabelecer comunicação.
O plano de resgate envolve a remoção de toneladas de rochas com uso de equipamentos teledirigidos. Segundo a Codelco, cerca de 300 das 5 mil toneladas de escombros já foram retiradas. A estatal alertou que a operação ocorre em “ambiente difícil”, com 300 metros de túneis severamente danificados e outros 400 metros em estado moderado.
As causas do tremor ainda são investigadas. A suspeita é de que o evento possa ter sido provocado tanto por atividade tectônica quanto por operações internas da mina. O Ministério Público da região de O’Higgins abriu uma investigação. Enquanto a Codelco defende que o foco deve estar no resgate, sindicatos de trabalhadores denunciam possível negligência como fator para o desabamento.
Este é o acidente mais grave registrado em El Teniente em mais de 30 anos. A tragédia mais letal no local ocorreu em 1990, quando seis mineiros morreram em circunstâncias semelhantes.
Com mais de 4.500 km de túneis, El Teniente conta com uma das maiores redes de monitoramento sísmico do planeta, equipada com 150 sensores distribuídos por toda a estrutura. Por ora, todas as atividades da mina estão suspensas. Em 2024, a unidade foi responsável por 356 mil toneladas de cobre.