O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (24) que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro está atrapalhando o governo na tentativa de negociar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Itatiaia.
“Quem está obstruindo esse canal de negociação é a família Bolsonaro e os seus apoiadores. Vocês brasileiros que pensam que estão fazendo bem pelo Brasil, estão fazendo bem para uma família. Vocês perderam uma eleição. Saiam do caminho, deixem o governo negociar”, disse Haddad.
O ministro acrescentou: “Vocês brasileiros que pensam que estão fazendo bem pelo Brasil, estão fazendo bem para uma família. Vocês perderam uma eleição, deixem o governo negociar. Saiam do caminho, desimpedam o caminho para que a mesa (de negociação) possa ser restabelecida, como estava há 60 dias atrás.”
Haddad também criticou o apoio que alguns governadores brasileiros ligados à extrema direita deram a Donald Trump. “Vários governadores no Brasil têm vínculos com a extrema direita, celebraram a eleição do Trump, botaram o boné do Trump. Tá tudo bem, cada um faz o que quer. Isso aqui é uma democracia. Mas essas pessoas deviam se mobilizar junto ao Bolsonaro, para que o Paulo Figueiredo, o Eduardo Bolsonaro parem de militar contra o Brasil, contra as negociações”, afirmou o ministro.
Segundo Haddad, a atuação de aliados do ex-presidente tem prejudicado diretamente as tentativas do governo Lula de reabrir o diálogo com os Estados Unidos. Para ele, a solução do impasse depende da retomada das conversas diplomáticas.
“Acredito que, se os governadores buscarem a interlocução e sensibilizarem esses personagens para desimpedir as negociações, tudo isso acaba muito rapidamente. O presidente Lula é um craque em negociação. O Itamaraty, o vice-presidente Alckmin, são pessoas absolutamente sensatas”, declarou.
Em 9 de julho, o presidente Donald Trump anunciou a imposição de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto, dentro de uma série de medidas protecionistas contra países e blocos econômicos.
Haddad ainda criticou quem utiliza a situação do tarifaço para “sabotar a economia brasileira em troca de bônus eleitoral”, alertando que “as pessoas estão atentas a essa movimentação”.
O ministro da Fazenda confirmou que ainda não conversou diretamente com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, mas afirmou que a equipe brasileira envolvida nas tratativas mantém diálogo com técnicos norte-americanos. O último contato ocorreu em maio, durante reunião bilateral na Califórnia, quando Haddad cumpria agenda oficial.