
O Comitê de Designações da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos publicou um extenso relatório que atribui à Colômbia um montante de U$ 209 milhões para o ano fiscal de 2026, focado na luta contra as drogas e em programas de segurança e desenvolvimento. No entanto, o valor representa uma diminuição significativa em relação aos aproximadamente U$ 400 milhões anuais que o país vinha recebendo dos EUA em anos anteriores.
O relatório, revelado pelo jornal El Tiempo, concentra-se em críticas severas ao governo colombiano, evidenciando a magnitude da inquietação em Washington sobre a situação política e judicial do país.
O documento inicia com uma menção aos “profundos e duradouros laços” entre os povos da Colômbia e dos Estados Unidos, bem como à cooperação com as Forças Armadas e a Polícia Nacional. Contudo, após esse reconhecimento, o tom se torna mais rigoroso: o Comitê aponta que a administração Petro “não tem aproveitado eficazmente a assistência dos Estados Unidos para promover as metas e objetivos comuns”.
Essa percepção negativa se traduz na decisão de cortar pela metade a assistência não militar, uma medida que, segundo o documento, responde à falta de resultados e à preocupação com o rumo das políticas do atual governo, liderado por Gustavo Petro.
Um dos aspectos mais delicados do relatório é a referência ao “aumento do consumo de drogas dentro da Colômbia”, que, segundo o Comitê, alcança inclusive “os níveis mais altos do Governo”. Embora o documento não mencione nomes concretos, a acusação é contundente e adiciona pressão sobre a administração de Gustavo Petro. O Comitê solicita ao Secretário de Estado que, em um prazo máximo de 90 dias após a promulgação do projeto de lei, consulte o Congresso para definir estratégias de implementação de programas de redução da demanda de drogas em território colombiano.
Na análise do Comitê, destacada pelo El Tiempo, sublinha-se a “profunda preocupação com as políticas prejudiciais, o comportamento errático e as relações malignas da administração Petro, que contradizem os interesses de segurança e econômicos dos Estados Unidos”. O relatório não se limita à gestão da ajuda financeira, mas aborda questões de fundo sobre a governabilidade e a estabilidade institucional na Colômbia.
O documento também foca na crescente instabilidade política e de segurança que o país atravessa. Como exemplo, menciona o atentado contra o senador de oposição e aspirante presidencial Miguel Uribe Turbay, ocorrido em 7 de junho de 2025, classificando-o como uma mostra alarmante do ambiente político volátil. Além disso, expressa uma “alta preocupação” com os relatos sobre o ressurgimento de atores armados ilegais e organizações criminosas que retomaram territórios previamente controlados pelo Estado, resultando em um aumento notável da violência nas regiões.
O deterioro do Estado de direito constitui outro eixo central das críticas. O Comitê manifesta sua inquietude com o processo judicial contra o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, apontando relatórios de “violações ao devido processo e irregularidades judiciais”, incluindo denúncias de vigilância não autorizada, negação do direito à defesa e conflitos de interesses.
O documento adverte que “os desafios observados na Colômbia refletem um padrão preocupante de ameaças ao devido processo e à independência judicial, e servem como lembrete de que esses valores democráticos fundamentais devem proteger-se em todo o mundo”, citou o jornal.
As reações de rejeição da oposição não tardaram. Um dos primeiros a se pronunciar foi o ex-senador Ernesto Macías, que presidiu o Congresso durante o governo de Iván Duque. “Por culpa de Petro e sua banda, hoje Colômbia é vergonha internacional”, expressou Macías em sua conta no X (antigo Twitter).
Por culpa de Petro y su banda, hoy Colombia es vergüenza internacional.
— Ernesto Macías Tovar (@ernestomaciast) July 23, 2025
Exclusivo: reporte de Cámara baja de Estados Unidos cita preocupación por 'consumo de drogas entre altos miembros del gobierno de Gustavo Petro' https://t.co/PeVtjy4fDr
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