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Ministra cubana renuncia após dizer que pessoas de rua estão “disfarçadas de mendigos”

Ministra cubana renuncia após dizer que pessoas de rua estão “disfarçadas de mendigos”

16/07/2025 às 12h44
Por: Redação Fonte: infomoney
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Ministra cubana renuncia após dizer que pessoas de rua estão “disfarçadas de mendigos”

Ministra cubana renuncia após dizer que pessoas de rua estão “disfarçadas de mendigos”.

 

"Quando você observa essas pessoas, percebe que estão disfarçadas de mendigos", disse a ministra do trabalho de Cuba.

A ministra de Trabalho e Segurança Social de Cuba, Marta Elena Feitó Cabrera, apresentou sua renúncia após provocar uma onda de indignação com a sua declaração de que no país não existiam mendigos, mas sim indivíduos “disfarçados de mendigos”.

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As ruas de Cuba, repletas de pessoas revirando lixeiras, idosos dormindo em portais e cidadãos solicitando ajuda financeira, contradizem as afirmações da ministra e desafiam a narrativa do projeto social da Revolução.

A crise gerada pelas palavras de Feitó Cabrera provocou uma crise tanto dentro como fora da ilha, levando não apenas à sua saída do cargo, mas também fazendo com que o ditador Miguel Díaz-Canel reconhecesse publicamente a vulnerabilidade enfrentada por parte da população cubana.

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Na noite de terça-feira, 15 de julho, a mídia estatal anunciou que a ministra havia “reconhecido seus erros” e decidido se demitir.

É relevante notar que esta foi a primeira vez que um alto dirigente cubano deixou o cargo em resposta à pressão popular. Anteriormente, o governo usou termos como “liberação de responsabilidades” ao destituir outros funcionários.

Marta Elena Feitó Cabrera ocupava o cargo desde 2019 e possui formação em Economia e Gestão de Segurança Social.

Sua intervenção durante uma sessão da Assembleia Nacional do Poder Popular gerou grande repercussão entre os cubanos, evidenciando uma desconexão profunda entre os governantes e a realidade do povo.

As declarações da ministra acerca das pessoas “disfarçadas de mendigos” provocou reação popular imediata e intensa.

Muitos cidadãos se manifestaram nas redes sociais contra as declarações da ministra e um grupo diversificado de intelectuais e ativistas coletou assinaturas exigindo sua destituição.

Diante da situação, Díaz-Canel afirmou não compartilhar alguns dos comentários feitos na assembleia e ressaltou que é imprudente fazer tais julgamentos quando se reconhece a existência do problema.

A realidade cubana

Os setores de Saúde, Educação e Segurança Social entraram praticamente em colapso, sendo notória a escassez de insumos médicos e profissionais qualificados nas áreas mencionadas. Além disso, a violência aumentou proporcionalmente à falta de moradia e à escassez alimentar.

A crise generalizada levou muitos cubanos a optar pelo exílio; desde 2022, quase dois milhões deixaram o país.

A situação é especialmente crítica para os idosos, que enfrentam altas despesas e pensões irrisórias – mais de 39% dos aposentados recebem menos de cinco dólares mensais.

Apesar das reiteradas promessas do governo sobre não deixar ninguém para trás, a realidade mostra uma crescente indiferença em relação às necessidades do povo.

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