
Presidente da Abipesca diz à CBN que 70% das exportações têm como destino os EUA e que o setor já sofre com cancelamentos. Governo brasileiro ainda não recebeu comunicado oficial nem tem canal de negociação com Washington. Cerca de 20 mil trabalhadores devem ser afetados diretamente.
O setor brasileiro de pescados está prestes a parar. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, que alertou ao Jornal da CBN para os efeitos devastadores da tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Com 70% da produção voltada ao mercado americano, a cadeia produtiva — que vinha em franco crescimento — já enfrenta cancelamentos de pedidos e pode ter embarcações paradas nas próximas semanas. Lobo participou de uma reunião com o governo federal, mas criticou a falta de interlocução com os Estados Unidos e a ausência de uma estratégia concreta para evitar o colapso do setor.
De acordo com Eduardo Lobo, cerca de 20 mil pescadores serão diretamente afetados pelas medidas, além de centenas de famílias de aquicultores ligadas à cadeia produtiva.
Lobo afirmou que o governo brasileiro ainda não recebeu nenhum documento oficial sobre a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil. Ele disse que a única manifestação até o momento foi uma publicação do ex-presidente norte-americano Donald Trump nas redes sociais.
Segundo Lobo, também 'não há nenhum canal de comunicação com o governo americano' e 'nenhum interlocutor apareceu até agora para negociar com o Brasil'.
Eles não têm ainda nenhum canal de comunicação com o governo americano, não apareceu nenhum interlocutor da parte de lá para negociar com o Brasil.
A Abipesca pede exclusão dos pescados das tarifas americanas e alerta para impacto social no Brasil.
Guilherme Lobo ressalta a preocupação dos impactos na produção nacional, pois há toneladas de alimentos já industrializadas e embaladas para o mercado norte-americano. Ele destaca a importância de o Brasil procurar logo os EUA para negociar.
Deu uma aflição no setor produtivo muito grande, porque a gente sabe que está na estaca zero e que não existe ainda nem o primeiro passo. Tem centenas de toneladas industrializadas, prontas, embaladas para aquele tipo de mercado e que estão entre portos, depósitos, navios e que precisam de um momento para se adequar, seja o pessoal da carne, pescado, o mel de abelha, seja o suco de laranja, o café... isso é urgente. O governo brasileiro precisa enviar uma comunicação, alguém tem que escrever uma carta e pedir [para negociar], dizer 'precisamos de um prazo de pelo menos 90 dias'.
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