Governo Lula, Trump e as tarifas
A guinada ganhou força após o anúncio do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de taxar produtos brasileiros em 50%. Como resposta, Lula voltou a usar o boné com a frase “O Brasil é dos brasileiros” — reforçando o tom patriótico.
A mudança também reflete uma tentativa de marcar distância do Centrão.
Auxiliares de Lula, segundo o Estadão, apontam que a coalizão com partidos que têm interesses divergentes enfraquece a identidade do governo.
Hoje, todas as campanhas e iniciativas de ministérios precisam passar pela aprovação da Secom.
IOF
O Estadão informa ainda que a troca do slogan vinha sendo gestada há meses, mas foi acelerada após a crise envolvendo o decreto que aumentava a alíquota do IOF.
A derrubada da medida por partidos aliados no Congresso, a maioria do Centrão, expôs o desgaste da relação de Lula com o Legislativo, especialmente com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O Planalto recorreu ao STF, e uma audiência de conciliação está marcada para o dia 15.
Diante desse cenário, o PT lançou nas redes uma campanha com o slogan “BBB: Bilionários, Bancos e Bets”, acusando os mais ricos de não contribuírem com a arrecadação.
Segundo o Estadão, monitoramentos internos apontaram que a campanha teve boa repercussão popular.
Sidônio, que assumiu a Secom em janeiro com a missão de elevar a popularidade do governo em três meses, ainda não conseguiu atingir esse objetivo.
Conforme o Estadão, Lula perdeu apoio no Nordeste e entre os mais pobres. Embora pesquisas indiquem uma leve recuperação, o ritmo é lento.
Lula resiste a dar mais entrevistas, mas Sidônio insiste: “Sou uma pessoa determinada”, declarou ao Estadão. “Estou ministro hoje e amanhã posso não estar. Não tenho interesse político”.
A comunicação do governo enfrentou 12 crises em seis meses, segundo uma planilha interna da Secom — de boatos sobre taxação do Pix a atritos com o Congresso.
Ainda assim, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou ao Estadão que Sidônio tem “experiência e sensibilidade” para avançar.
Enquanto a oposição tenta convocar o ministro para explicar campanhas que classificaram o Congresso como “mamata”, Sidônio nega qualquer envolvimento do Planalto nas postagens e conseguiu adiar a ida à Câmara para depois do recesso.
Até lá, o novo slogan já deve estar no ar, finaliza o Estadão.