Economia Economia
Banco deve indenizar cliente vítima de golpe da maquininha se não emitir alerta de fraude
Banco deve indenizar cliente vítima de golpe da maquininha se não emitir alerta de fraude
12/07/2025 19h35
Por: Redação Fonte: Agência O Antagonista

Banco deve indenizar cliente vítima de golpe da maquininha se não emitir alerta de fraude.

 

Este tipo de fraude tem causado transtornos e prejuízos, levando a uma análise criteriosa sobre o dever de vigilância e o uso dos sistemas antifraude por parte das instituições financeiras.

Bancos instituições financeiras desempenham um papel essencial na proteção dos consumidores contra fraudes bancárias. O tema da responsabilidade dos bancos diante de operações fraudulentas ganhou novo destaque com decisões recentes no Judiciário brasileiro, especialmente envolvendo golpes como o conhecido “golpe da maquininha”.

Este tipo de fraude tem causado transtornos e prejuízos, levando a uma análise criteriosa sobre o dever de vigilância e o uso dos sistemas antifraude por parte das instituições financeiras.

Em 2025, tornou-se mais frequente a discussão sobre a responsabilidade das instituições quando operações atípicas não são barradas, especialmente nas situações em que há evidente incompatibilidade com o perfil de consumo do cliente.

Essa análise ganhou força com casos nos quais o consumidor, ao perceber a fraude e acionar prontamente o banco, não obteve resposta eficaz nem ressarcimento, o que levanta questionamentos sobre a qualidade e a eficiência da prestação de serviços bancários.

Com informações do Conjur.

Como deve ser a atuação do banco diante de uma fraude bancária?

O processo de análise e prevenção de fraudes é considerado obrigação das instituições financeiras, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

A existência de setores antifraude e de mecanismos automatizados para identificar movimentações não usuais implica um dever adicional de cuidado e zelo pelo patrimônio do cliente.

Ao identificar transações que fogem do padrão, espera-se que o banco adote medidas preventivas e entre em contato com o consumidor para validar a movimentação.

É importante ressaltar que, segundo jurisprudência consolidada, o banco tem responsabilidade objetiva nos casos de fraudes, mesmo quando praticadas por terceiros.

A responsabilização ocorre especialmente quando a entrega do serviço falha no ponto de não prevenir ou interceptar transferências atípicas, ou ainda quando, após ser notificado rapidamente, o banco se nega a reverter a operação indevida.

Banco deve indenizar cliente vítima de golpe da maquininha se não emitir alerta de fraude. Créditos: depositphotos.com / AntonMatyukha

Responsabilidade objetiva das instituições financeiras: o que determina a lei e a jurisprudência?

Com base em decisões recentes, como a da 8ª Vara Cível de Santos, os juízes têm reiterado a aplicação do Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras.

O artigo 14 daquela lei solidifica que o fornecedor responde, independentemente de culpa, pelos danos gerados por falha no serviço.

Adicionalmente, o Superior Tribunal de Justiça mantém súmulas que sustentam que bancos devem se responsabilizar pelos chamados fortuitos internos, incluindo delitos de terceiros em operações bancárias.

  • Prevenção obrigatória: Bancos têm a obrigação de monitorar operações e detectar padrões fora do habitual.
  • Dever de ressarcimento: Ao não agir em tempo hábil ou recusar o estorno, mesmo após comunicado da fraude, o banco incorre em falha de serviço.
  • Dano moral: Além da perda financeira, o consumidor pode viver constrangimentos e transtornos que justificam a indenização por dano moral.
Banco deve indenizar cliente vítima de golpe da maquininha se não emitir alerta de fraude.. Créditos: depositphotos.com / serggn

Como agir em caso de golpe da maquininha?

Diante de situações como o “golpe da maquininha”, é essencial que o consumidor mantenha a atenção em todos os momentos da transação. No entanto, caso a fraude seja percebida, recomenda-se que o cliente tome algumas providências imediatamente para tentar minimizar os prejuízos e fortalecer seu direito ao ressarcimento.

  1. Notificação imediata: Assim que detectar uma operação estranha, entre em contato com a central de atendimento do banco.
  2. Registro de ocorrência policial: Formalizar a fraude pode ser necessário para futuras ações judiciais.
  3. Reúna documentos: Guarde comprovantes, extratos e qualquer evidência da comunicação feita ao banco após a ocorrência.
  4. Procure orientação jurídica: Um especialista poderá instruir sobre os próximos passos para a defesa dos direitos do consumidor.

Ao avaliar casos recentes, percebe-se que o Judiciário tem entendido que não é razoável atribuir integralmente ao consumidor o dever de identificar todas as situações fraudulentas no cotidiano.

Em operações normais, a expectativa é que existam mecanismos eficientes de proteção automáticos, de acordo com o perfil de consumo de cada cliente.

Assim, a omissão ou demora na resolução do problema por parte do banco acaba resultando em sua condenação tanto ao ressarcimento do valor desviado quanto à indenização por danos morais.

O que muda para o consumidor em casos de fraude bancária em 2025?

Com a evolução dos sistemas de pagamento e o aumento de transações eletrônicas, instituições financeiras passaram a investir mais em inteligência antifraude. Por outro lado, decisões recentes intensificam a exigência por respostas rápidas em casos de ataques fraudulentos.

Espera-se que, cada vez mais, as vítimas de golpes bancários possam recorrer à Justiça para garantir não apenas o retorno dos valores, mas também compensações por perdas imateriais, desde que respeitados os critérios da razoabilidade e da proporcionalidade nos valores das indenizações.