O Banco Central do Brasil (BCB) divulgou nesta quarta-feira (10) uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, ultrapassar pelo sexto mês consecutivo o limite superior da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Com o índice em 5,35%, acima do teto de 4,5%, o comunicado atende às exigências do Decreto nº 12.079/2024 e da Resolução CMN nº 5.141.
Assinada por Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e por Cristiano Cozer, procurador-geral do BCB, a carta detalha as causas do descumprimento da meta, as medidas já implementadas e o prazo estimado para que os efeitos da política monetária se consolidem. O documento faz parte do novo regime de metas contínuas para reforçar o compromisso da autoridade monetária com a transparência e a estabilidade de preços.
Segundo o BC, o desvio da meta decorre de um conjunto de fatores, entre eles:
Em resposta ao cenário inflacionário, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 4,5 pontos percentuais desde setembro de 2024, atingindo 15,00% ao ano. O BC avalia que a política monetária deve permanecer em patamar contracionista por um período prolongado, com monitoramento contínuo dos efeitos.
A instituição projeta que a inflação acumulada em 12 meses volte a ficar dentro do intervalo de tolerância (entre 1,5% e 4,5%) a partir do primeiro trimestre de 2026. A meta central de 3,00% deve ser alcançada até o fim de 2026, com a inflação caindo gradualmente nos próximos trimestres.