Presidente americano diz estar “muito decepcionado” e que Kremlin “não quer parar” a guerra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ficou “muito decepcionado” com a conversa telefônica que teve no mesmo dia com o ditador da Rússia, Vladimir Putin.
Segundo ele, o diálogo não trouxe avanços para um cessar-fogo na guerra da Ucrânia. “Não fiz nenhum progresso com ele hoje”, disse Trump a jornalistas, acrescentando: “Não acho que ele esteja buscando parar”.
Poucas horas depois da ligação, a Rússia lançou o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da guerra, com o disparo de 539 drones e 11 mísseis. Kiev foi a cidade mais atingida, com incêndios em prédios residenciais e escolas.
Segundo autoridades ucranianas, 23 pessoas ficaram feridas, 14 delas hospitalizadas.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que “a primeira sirene antiaérea começou quase simultaneamente aos relatos na mídia sobre a ligação entre Trump e Putin”.
Para ele, o ataque foi uma reação direta à conversa e “uma das piores noites da guerra”.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também criticou o bombardeio. Ele disse que Moscou “não tem nenhuma intenção de encerrar sua guerra ou seu terror” e reforçou o pedido por sanções mais duras contra a Rússia e mais armamentos dos aliados ocidentais.
“Cada ataque contra civis precisa ter resposta proporcional, inclusive com medidas econômicas”, afirmou Zelensky.
Do lado russo, o Kremlin apresentou outra leitura do telefonema.
O assessor Yuri Ushakov disse que a conversa foi “franca e construtiva” e que Putin deixou claro que “não vai recuar”.
Ainda segundo ele, os dois presidentes estariam “na mesma sintonia”, o que contrasta com a insatisfação de Trump.
No Congresso americano, até republicanos criticaram a abordagem diplomática do presidente.
O deputado Don Bacon disse que “Putin está zombando dos Estados Unidos” e defendeu o envio imediato de armas à Ucrânia e a imposição de sanções mais duras.
Joe Wilson chamou Putin de “criminoso de guerra” e disse que o Pentágono deve agir rapidamente para “reforçar as defesas ucranianas”.