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Após 1º trimestre positivo, OMC indica desaquecimento do comércio global no final do ano.
Após 1º trimestre positivo, OMC indica desaquecimento do comércio global no final do ano.
30/06/2025 09h11
Por: Redação Fonte: Times Brasil

Após 1º trimestre positivo, OMC indica desaquecimento do comércio global no final do ano.

 

Depois de um primeiro trimestre forte na compra e na venda de mercadorias, a Organização Mundial do Comércio (OMC) espera desaceleração em 2025. É o que aponta o Barômetro do Comércio de Mercadorias da entidade, apesar de o indicador estar atualmente em 103,5, o que sugere crescimento acima da tendência (o 100 é o número base para tendências de médio prazo).

Segundo a OMC, embora a leitura atual esteja acima de 100, o declínio nos pedidos de exportação e pedidos antecipados “sugerem que o crescimento do comércio pode desacelerar nos próximos meses, na medida em que as empresas importam menos e começam a reduzir estoques”. O índice de novos pedidos de exportação caiu para 97,9, abaixo da tendência, “apontando crescimento mais fraco no final do ano”.

As projeções da OMC têm oscilado conforme a mudança de ventos a partir da política tarifária do governo dos Estados Unidos. O relatório Global Trade Outlook and Statistics, divulgado em abril, projetava crescimento de 2,7% no comércio global em 2025 — “refletindo as condições políticas no início do ano”. Com as tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump e as “políticas reais em vigor”, a estimativa passou a indicar contração de 0,2%.

“Acontecimentos subsequentes aumentaram e diminuíram ligeiramente a previsão, deixando a perspectiva geral basicamente estável em 0,1%”, afirmou a organização na apresentação do barômetro, citando acordos comerciais dos Estados Unidos com China e Reino Unido e tarifas mais altas sobre aço e alumínio.

Porém, a organização sugere que a contração do comércio seria uma possibilidade caso, por exemplo, “se as tarifas recíprocas dos EUA forem restabelecidas ou se a incerteza da política comercial se espalhar globalmente.” Novas projeções devem ser divulgadas em meados de julho. Para o PIB mundial, a estimativa de 2025 foi de 2,8% para 2,2%, despencando na América do Norte (de 2% para 0,4%).

O boletim da OMC indica crescimento das exportações de 2,2% na América do Norte neste ano e 2,9% no próximo. A revisão agora projeta quedas — de 12,6% e 1,2%, respectivamente. Para a América do Sul, a entidade mantém projeção de alta, mas em menor ritmo: de 1,4% para 0,6% em 2025 e de 1,2% para 0,9% em 2026.

Segundo o relatório, as exportações de mercadorias chinesas devem aumentar entre 4% e 9% em todas as regiões fora da América do Norte, “na medida em que o comércio é redirecionado”. Em paralelo, também é esperado que as importações americanas da China caiam “drasticamente” em setores específicos — têxteis, vestuário e equipamentos elétricos — para gerar oportunidades de exportação para outros fornecedores.

Segundo a OMC, isso poderia beneficiar países menos desenvolvidos no sentido de aumentar as exportações para o mercado norte-americano. Relatório da Moody’s, divulgado nesta quarta-feira (25), sustenta que as tarifas dos Estados Unidos criam novas oportunidades para o agronegócio latino-americano, “especialmente com o aumento da demanda chinesa por carne bovina, suína e de aves”. “No Brasil, os produtores de grãos e carne são diretamente beneficiados.”

No ranking da organização, a China lidera o ranking dos exportadores, com 14,6% do total. Em seguida, vêm Estados Unidos (8,5%) e Alemanha (6,9%). O Brasil figura em 24º lugar, com 1,4%. Entre os importadores, muda a ordem: os primeiros da lista são Estados Unidos (13,6%), China (10,5%) e Alemanha (5,8%), com o Brasil em 27º (1,1%).

Ainda em relação ao barômetro da OMC, neste momento os indicadores estão no campo positivo, à exceção dos pedidos de exportação. Isso acontece no transporte, incluindo frete aéreo (104,3) e contêineres (107,1), mostrando maior movimentação de mercadorias. E se repete com produtos automobilísticos (105,3), “devido à resiliência da produção e das vendas de veículos”, componentes eletrônicos (102) e matérias-primas (100,8).