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Mulher investigada por envenenar bolo em Torres também é suspeita de matar o sogro.
Mulher investigada por envenenar bolo em Torres também é suspeita de matar o sogro.
06/01/2025 16h05
Por: Redação Fonte: correiodopovo
Coletiva da Polícia Civil sobre caso de bolo envenenado em Torres | Foto: Polícia Civil

Mulher investigada por envenenar bolo em Torres também é suspeita de matar o sogro.

 

 

Morto em setembro por intoxicação alimentar, homem deve ter corpo exumado nos próximos dias.

A mulher presa como suspeita de envenenar o bolo que levou três pessoas à morte, em Torres, também é suspeita de provocar a morte do sogro, em setembro.

Ela seria Deise Moura dos Anjos, nora de Zeli Terezinha Silva dos Anjos, 61 anos, que fez a sobremesa e que perdeu o marido por intoxicação alimentar.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira, em coletiva da Polícia Civil.

Segundo a apuração policial, a investigada tinha desavenças com a sogra.

Não foram fornecidos detalhes sobre a questão, mas a briga entre elas teria ocorrido há mais de 20 anos, e por motivos banais. A PC desconfia que isso também tenha motivado o envenenamento do sogro.

“As coincidências levam a crer que também tenha ocorrido envenenamento na morte do marido de Zeli”, apontou a delegada regional Sabrina Deffente. Ainda de acordo com a delegada, a exumação do corpo dele já foi solicitada, mas ainda não há data para ser feita.

Ela garante, no entanto, que a medida deve acontecer em breve.

De acordo com a diretora do Instituto-Geral de Perícias (IGP) Marguet Hoffmann, o tempo decorrido desde a morte do homem não deve prejudicar os trabalhos de análise.

O objetivo será verificar se há também há presença de arsênio no cadáver.

A substância, que é base do veneno arsênico, foi encontrada em doses letais na a farinha utilizada no bolo, em amostras de dois sobreviventes e no corpo de uma das vítimas.

"Foram encontradas concentrações altíssimas de arsênio no bolo e nas amostras de sangue, urina e conteúdo estomacal das pessoas contaminadas. Ou seja, isso exclui completamente qualquer possibilidade de intoxicação alimentar”, afirmou a diretora do IGP.

A quantidade de arsênio na farinha era de 65 gramas por quilograma, cerca de 2,7 mil vezes maior do que a concentração da substância encontrada no bolo.

Nas vítimas, o químico estava presente em quantidades que superavam de 80 a 350 vezes a dose considerada letal.

"A família tinha uma convivência harmoniosa, mas havia divergências com uma única pessoa, e ela foi presa devido a provas juntadas ao inquérito. São provas robustas, que serão usadas para o indiciamento dela.

Não vou entrar em detalhes agora, mas posso dizer que os motivos são desproporcionais para alguém cometer um crime desta natureza”, ponderou o titular da DP de Torres, delegado Marcos Vinicius Muniz Veloso.

Detida por ordem de prisão temporária, a mulher considerada suspeita vai responder por triplo homicídio duplamente qualificado e uma tripla tentativa de homicídio duplamente qualificada. Ela está recolhida no Presídio Estadual Feminino de Torres.

Leia a nota da defesa da investigada

Deise Moura dos Anjos, presa temporariamente por suposto envenenamento no caso do bolo, na cidade litorânea de Torres/RS, vem a público manifestar que possui defesa constituída, representada pelos advogados Manuela Almeida, Vinícius Boniatti e Gabriela S. Souza.

Até o presente momento, 06 de Janeiro, às 07hrs, a defesa prestou atendimento em parlatório à cliente, contudo, não teve acesso integral a investigação em andamento, razão pela qual se manifestará em momento oportuno.