
O assessor-chefe para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, vê com ceticismo a possibilidade de o Irã efetivamente bloquear a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo.
“Eu não posso jurar, até porque não falei com ninguém, mas não acho provável [fechar o Estreito de Ormuz] porque os interesses são muitos, de muitos países. Inclusive de aliados do Irã que eles têm interesse em manter”, afirmou o embaixador ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
No domingo (22), o parlamento do Irã aprovou o fechamento do Estreito de Ormuz após os bombardeios dos Estados Unidos a unidades nucleares do regime iraniano. Mas o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o aiatolá Khamenei ainda não deram aval à medida, que por ora está no campo da ameaça.
Além disso, a retaliação do Irã a instalações militares americanas reforçou a leitura, dentro do mercado financeiro, de que a rota comercial está preservada. A aposta levou as cotações do barril de petróleo a afundarem nesta segunda-feira (23), cerca de 7%.
Ainda assim, os riscos bélicos permanecem e, para Celso Amorim, não se pode descartar uma guerra mundial. “Há chance porque são muitos países importantes envolvidos. No momento, temos duas guerras importantes: a Rússia diretamente envolvida em uma, Estados Unidos indiretamente em outra. Se essas duas guerras se comunicarem, é praticamente guerra mundial. Mas isso não significa uma guerra total, a ponto de os Estados Unidos lançarem bombas na Rússia”, argumenta.
O ex-chanceler conversou sobre o contexto internacional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não quis entrar em detalhes.
À reportagem, Amorim voltou a criticar o “ataque preventivo” de Israel ao Irã, estopim para a nova guerra. “Não está comprovado que o Irã tem arma atômica. O Irã aumentou muito o enriquecimento de urânio, mas daí a ter bomba atômica é um longo caminho. E mesmo que o Irã tivesse bomba atômica, não existe autodefesa preventiva”, afirmou.
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