Segundo um relatório do Instituo Internacional de Estudo Estratégicos (IISS, na sigla em inglês) os custos financeiros e os requisitos industriais de defesa para a parcela europeia da Otan conseguir se defender contra uma futura ameaça russa, sem ajuda dos EUA, equivaleria hoje a aproximadamente US$ 1 trilhão.
Para defender esse gasto maior, Rutte comparou que a economia da Otan é 25 vezes maior que a da Rússia, com US$ 50 trilhões de PIB contra US$ 2 trilhões. Mas reforçou que essa economia menor está produzindo quatro vezes mais munição do que toda a Otan no momento.
Ao listar os desafios, o secretário-geral descreveu o potencial bélico dos possíveis adversários, destacando que, por causa da Rússia, a guerra voltou à Europa, e que há também uma renovada ameaça de ataques terroristas.
“A Rússia se uniu à China, Coréia do Norte e Irã. Eles estão expandindo suas forças armadas e suas capacidades. A máquina de guerra de Putin está acelerando – não desacelerando. A Rússia está reconstituindo suas forças com tecnologia chinesa e produzindo mais armas mais rápido do que pensávamos”, alertou.
Segundo seu relato, em termos de munição, a Rússia produz em três meses o que toda a Otan como um todo consegue produzir em um ano. A base industrial de defesa russa deve produzir só neste ano 1.500 tanques, 3.000 veículos blindados e 200 mísseis Iskander.
“A Rússia pode estar pronta para usar a força militar contra a Otan dentro de cinco anos. Não vamos nos enganar, estamos todos no flanco oriental agora. A nova geração de mísseis russos viaja muitas vezes a velocidade do som. A distância entre as capitais europeias é apenas uma questão de minutos. Não há mais Oriente ou Ocidente – há apenas a Otan”, disse.
Ele também afirmou que a China modernizando e expandindo suas forças armadas “a uma velocidade vertiginosa”. Na descrição de Rutte, o gigante asiático já possui a maior Marinha do mundo e que sua força de batalha deve crescer para 435 navios até 2030. “A China também está construindo seu arsenal nuclear. E pretende ter mais de 1.000 ogivas nucleares operacionais, também até 2030”, listou.
Para o IISS, se as forças dos EUA se retirassem do teatro europeu a partir de meados de 2025, a janela de vulnerabilidade da Europa se abriria rapidamente. “Os aliados europeus não apenas precisariam substituir as principais plataformas militares e mão de obra dos EUA – esta última estimada em 128.000 soldados – mas também resolver as deficiências no espaço e em todos os domínios de inteligência, vigilância e reconhecimento”, informou o instituto em sua análise.
Sobre as necessidades europeias, Rutte disse as forças armadas locais precisam de milhares de veículos blindados e tanques e milhões de projéteis de artilharia a mais. “E devemos dobrar nossas capacidades de capacitação, como logística, suprimentos, transporte e suporte médico. Os aliados investirão em mais navios de guerra e aeronaves”, afirmou detalhando que os aliados dos EUA vão adquirir aos menos 700 caças F-35 no total.
“Também investiremos em mais drones e sistemas de mísseis de longo alcance e investiremos mais em capacidades espaciais e cibernéticas. É claro que, se não investirmos mais, nossa defesa coletiva não será crível. Gastar mais não é agradar a um público de um, é proteger um bilhão de pessoas”, discursou.
Sobre a forma inteligente de gastar os recursos, adotando novas tecnologias, ele usou o exemplo da Ucrânia. “Eles [os investimentos tecnológicos] podem ser econômicos e oferecer o mesmo efeito que o ‘heavy metal’ militar tradicional. Nos campos de batalha da Ucrânia, drones de US$ 400 usados da maneira certa estão abatendo tanques russos de US$ 2 milhões.”