
A forma como produzimos e consumimos energia impacta diretamente no meio ambiente. No Brasil, a energia eólica é a segunda maior da matriz elétrica brasileira, representando 16,1% de toda a capacidade instalada do país, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica). Com o cenário de mudanças e desastres climáticos, investir em fontes sustentáveis tornou-se uma prioridade para a preservação global.
A energia eólica torna-se uma peça fundamenta para o combate à crise climática. Em entrevista ao BNews Junho Verde, Juliana Lucena, titular do Instituto Federal de Pernambuco - Campus Ipojuca, autora de livros e artigos na área de energia eólica e coordenadora do projeto Mulheres na Eólica que promove diversidade e inclusão de gênero no setor, explicou o que é essa forma de produção e consumo de energia.
“A energia eólica é a energia obtida a partir da força dos ventos. E para obtermos essa energia precisamos de máquinas chamadas aerogeradores ou turbinas eólicas. Essa energia é considerada sustentável porque além de ser limpa (as turbinas não emitem CO2 durante o seu funcionamento) é também uma energia renovável porque o vento é considerado um recurso infinito disponível em todo o globo terrestre”, explicou a profissional.
A pesquisadora destacou o papel da energia eólica como uma matriz energética mais sustentável. “O país precisa, por questões de segurança energética, ter uma matriz diversificada; e a eólica é uma fonte limpa e renovável que, juntamente com a hidrelétrica e a solar, fazem com que mais da metade da nossa matriz seja limpa e renovável. E é interessante observar que nos períodos de baixo nível dos reservatórios nas nossas hidrelétricas coincide com o período dos melhores ventos no Brasil, ao mesmo tempo em que à noite, quando não temos incidência dos raios solares, costumamos ter os melhores ventos para a geração eólica; então essas fontes podem coexistir e se complementar, tornando a nossa matriz elétrica mais segura e diversificada”, detalha.
Em entrevista ao BNews, Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica, detalhou como a energia eólica é gerada. "Os aerogeradores, também conhecidos como turbinas eólicas, consistem em hélices (ou pás) conectadas a um eixo. Quando o vento sopra, a força do vento faz com que as hélices girem. Essa rotação das hélices aciona um gerador elétrico conectado ao eixo das turbinas, que converte a energia mecânica em energia elétrica. Em seguida, essa energia é transmitida até uma subestação, onde se inicia a transmissão ao sistema interligado, que faz a distribuição através da rede elétrica. A maioria da eletricidade gerada alimenta a rede elétrica pelo Sistema", detalhou.
Energia eólica e redução dos impactos ambientais
Juliana explicou que a energia eólica ajuda a reduzir os impactos ambientais causados por fontes não renováveis de energia por não emitir CO2 durante a sua operação. “Mas quando somamos todas as emissões de CO2 da cadeia produtiva da indústria eólica, ainda assim ela é uma das fontes mais limpas, inclusive mais limpa que a energia solar fotovoltaica”, revela.
“O impacto ambiental causado na construção e operação de um parque eólico também é considerado pequeno; envolve a supressão da mata onde esse parque está sendo construído, mas precisa ser feito um bom estudo de impacto ambiental que preveja medidas mitigadoras e compensatórias e qualquer possível dano ambiental e social que um parque eólico possa causar”, explica Juliana.
Elbia Gannoum reforça com dados como a energia eólica é "uma das fontes mais eficazes para a descarbonização da matriz elétrica". "De 2016 a 2024, o setor eólico brasileiro evitou emissões de gases do efeito estufa valoradas entre R$ 60 e R$70 bilhões. Apenas em 2024, foram 40,21 milhões de toneladas de CO2 evitadas, o equivalente à emissão de cerca de 27,6 milhões de automóveis de passeio. Para se ter uma ideia, a energia eólica é classificada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) como “energia de baixo potencial poluidor e com papel imprescindível na contribuição para uma matriz energética mais limpa".
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Os parques eólicos afetam as comunidades locais?
Elbia Gannoum informou que “qualquer grande projeto de infraestrutura, a implantação de parques eólicos demanda análises, estudos técnicos e diálogo com as comunidades envolvidas” ara que aja o mínimo de danos possíveis. “Quando conduzida com responsabilidade, a energia eólica gera efeitos positivos para as comunidades: como a criação de empregos diretos e indiretos; geração de renda com o arrendamento de terrenos, investimento social privado e criação de programas de capacitação de mão de obra local”, explicou.
“Cabe ressaltar, contudo, que, como em qualquer atividade humana, também na geração eólica ocorrem impactos negativos, a exemplo da supressão de vegetação, produção de particulados e ruídos. Tais impactos devem ser gerenciados, de acordo com a legislação vigente, cabendo ao empreendedor atuar na sua mitigação e compensação, sempre que não for possível evitá-los”, destaca.
A empresária explica que há um acompanhamento da legislação para que não ocorram esses impactos severos. “Quanto ao meio ambiente, a instalação ocupa um espaço reduzido dos terrenos onde parques são implantados, mantendo as áreas produtivas e consumindo apenas cerca de 6% do terreno arrendado. A legislação ambiental vigente, nos âmbitos federal e estaduais, é rigorosamente seguida, com avaliações criteriosas que consideram possíveis impactos sobre o meio ambiente. Esses processos buscam garantir a proteção da fauna, da flora e o desenvolvimento social das regiões onde os parques eólicos são implantados”, informou.
Nordeste como região mais promissora na geração de energia eólica
A professora reflete sobre a importância do Nordeste nesse cenário. “A Região Nordeste do Brasil abriga mais de 90% dos nossos parques eólicos por ser a região com as melhores condições de vento, que são ventos constantes, que não mudam de direção com frequência, são ventos intensos. E com a implantação nos últimos anos de turbinas eólicas mais modernas, e mais altas e com pás maiores, conseguimos aproveitar ventos de maior altitude”, declarou.
Gannoum reforçou o comprometimento da empresa com ações de compromisso direto com o meio ambiente. “A ABEEólica atua diretamente no incentivo às boas práticas socioambientais do setor, por meio da área de ESG (Environmental, Social and Governance), promovendo a inclusão produtiva, a escuta ativa de comunidades e a sustentabilidade como princípios fundamentais da expansão eólica no Brasil. As recomendações da ABEEólica para ações com olhar de responsabilidade social, ambiental e fundiárias estão reunidas no Guia de Boas Práticas Socioambientai para o Setor Eólico”, relatou.
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