
Em audiência conjunta das Comissões de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Fiscalização e Controle (CTFC), realizada nesta quarta-feira (23), senadores e especialistas cobraram maior rigor na fiscalização e melhores condições estruturais para análise de suplementos alimentares.
O debate foi proposto ( REQ 6/2025 - CCT e REQ 3/2025 - CTFC ) pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que ressaltou a urgência de regulamentação mais clara e investimentos em equipamentos laboratoriais, como o cromatógrafo líquido, essencial para a análise dos produtos.
— Essa é uma pauta importantíssima, afinal de contas a saúde da população está em risco—afirmou Pontes.
O senador ainda destacou a necessidade de fortalecer a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com pessoal e mais recursos. Ele também criticou a ausência de representante da agência na audiência, considerada fundamental para a discussão.
Já o senador Izalci Lucas (PL-DF) alertou para o papel das redes sociais na disseminação de produtos sem comprovação científica.
— É só entrar na internet e aparece propaganda de emagrecimento imediato, promovida até por autoridades e artistas — disse, ao defender maior vigilância sobre a publicidade desses produtos.
Para a senadora Dra. Eudócia (PL-AL), os órgãos de controle devem ter mais tecnologia disponível para garantir a segurança dos consumidores, especialmente os mais vulneráveis. Ela apoiou a aquisição do cromatógrafo, citada por Pontes.
— Precisamos garantir que esses suplementos não contenham aditivos ou proteínas indesejáveis — afirmou.
Representante do Conselho Federal de Nutrição (CFN), Caio Victor Coutinho de Oliveira destacou os riscos do consumo sem orientação e a deficiência de informação qualificada nas redes sociais.
— Suplementos não são inofensivos, há riscos cardiovasculares, neurológicos e interações medicamentosas importantes — disse.
Ele também criticou a falta de ensino adequado sobre suplementação nos cursos da área da saúde e mencionou efeitos adversos de pré-treinos, mesmo em jovens saudáveis.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), Marcelo Bella, defendeu a segurança dos suplementos baseados em evidências científicas, ao citar produtos como creatina ewhey protein. Mas criticou a falta de estrutura da Anvisa para testes de qualidade e sugeriu a corresponsabilização das plataformas on-line pela venda de produtos irregulares.
— Entre 30% e 50% dos produtos analisados por nós apresentaram problemas, alguns com 0% de creatina — revelou.
Bella também pediu a modernização do marco regulatório do setor, com estímulo à inovação e ao acesso a suplementos por públicos diversos, como idosos e crianças.
Diretor do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Aith ressaltou que a regulação dos suplementos alimentares no Brasil passou por uma transformação significativa em 2018, após anos de incertezas por parte da Anvisa. Com as mudanças promovidas, disse, a categoria de suplementos alimentares passou a ter uma regulação própria e mais estruturada.
Apesar dos avanços, o especialista destacou que ainda há disputas entre o setor produtivo e a Anvisa sobre quais ingredientes e concentrações são permitidos. Um dos pontos de tensão é a possibilidade de importação de suplementos por pessoas físicas, autorizada pela Agência.
— Essa norma permite que consumidores brasileiros adquiram produtos no exterior, muitas vezes com ingredientes ou concentrações proibidos no país, o que gera uma concorrência desleal com a indústria nacional. Isso desestimula a inovação e prejudica o desenvolvimento do setor no Brasil — afirmou.
Ao final da audiência, os senadores reforçaram o compromisso com ações legislativas para fortalecer a regulação do setor e garantir mais recursos e autonomia à Anvisa.
Senado Federal Redução de prazos para exame de patentes passa na CAE
Senado Federal CAE confirma redução tributária para áreas de livre comércio da Amazônia
Senado Federal CAE aprova um pediatra para cada quatro equipes de saúde da família Mín. 21° Máx. 29°