Em Wiesbaden, generais ucranianos de alto escalão se encontraram com autoridades militares dos EUA para planejar ofensivas contra a Rússia.
O ex-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Ucranianas, Walerij Saluschnyj, reconheceu o envolvimento contínuo e direto dos Estados Unidos, desde o início do conflito da Ucrânia, no planejamento das operações militares do exército ucraniano, a partir de Wiesbaden, Alemanha.
Ele destacou a importância desse quartel-general em uma recente postagem em sua conta no Facebook, referindo-se a ele como uma verdadeira “arma secreta”.
Saluschnyj revelou que, desde 2022, uma base operacional foi estabelecida na cidade alemã de Wiesbaden, onde militares dos dois países colaboraram na formulação de táticas de guerra.
Essa instalação foi fundamental na realização de simulações de combate, além de permitir a identificação das necessidades logísticas das tropas ucranianas, que foram comunicadas a Washington e capitais europeias.
A colaboração entre os EUA e a Ucrânia visava equilibrar a desvantagem numérica e armamentista apresentada pelas forças russas. “A ideia por trás dessa parceria era enfrentar o enorme avanço da Rússia em termos de soldados e equipamentos”, explicou Saluschnyj.
Informações previamente divulgadas pelo jornal “New York Times” confirmaram que generais ucranianos visitaram a Clay Kaserne, base militar americana, onde realizaram análises de imagens de satélite e comunicações interceptadas para identificar alvos estratégicos. Além disso, a agenda incluía o planejamento conjunto de contraofensivas ucranianas.
O relatório do NYT sugere que o envolvimento dos Estados Unidos no conflito era mais profundo do que se imaginava anteriormente.
Saluschnyj também mencionou que essa estrutura foi criada com o apoio do Reino Unido durante o verão de 2022, após uma coordenação inicial que ocorreu em Stuttgart, destinada à ajuda militar fornecida pelos aliados da Ucrânia; essa coordenação foi posteriormente transferida para Wiesbaden.
Walerij Saluschnyj comandou as Forças Armadas ucranianas até fevereiro de 2024, quando foi substituído por ordem do presidente Volodymyr Zelensky, sendo então nomeado como embaixador da Ucrânia no Reino Unido.