Uma precursora no estudo de plantas medicinais, Ivone Popinigis era uma mulher à frente de seu tempo. Na Faculdade de Farmácia e Bioquímica, uma das instituições precursoras da UEPG, graduou-se em Ciências Farmacêuticas em 1959. Em 1975, recebeu pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) o título de livre-docente, que é o mais alto título acadêmico, obtido por meio de um concurso público restrito a doutores. “Foi uma das primeiras professoras que tinh
Ivone lutou por anos para ter um espaço dedicado ao cultivo de plantas medicinais. Depois de passar por locais improvisados, nos campi Centro e Uvaranas, o Horto ganhou o atual terreno, atrás do Bloco M, que conta com uma edificação para beneficiamento de plantas, em maio de 2008. “O objetivo principal era justamente trazer a comunidade. Os alunos e a a comunidade vinham aprender a coletar e a secar plantas”, conta a professora Vanessa.
Uma das novidades do Horto é espinhenta: o Jardim Proibido. A partir de uma parceria com o Departamento de Análises Clínicas, surge um espaço de conscientização e de estudo sobre as principais plantas tóxicas que podem estar no cotidiano das pessoas. “A maior parte dos casos de intoxicação com plantas tóxicas ocorre em ambiente doméstico”, conta a professora Stella Bortoli, que organizou o espaço. “Então é justamente para mostrar essas plantas que a gente tem em casa, seu potencial tóxico, o que elas podem causar, conhecer os sintomas para poder identificar tanto em humanos quanto em animais”.
A professora aposentada Rosi Zanoni da Silva estava junto com Ivone na criação do Horto e comemorou a homenagem à “irmã de coração”. “Esse momento sempre foi o maior sonho da Ivone em vida, porque ela amava as plantas. Ela foi uma grande jardineira”, comentou. A professora explica que Ivone era bastante simples e humilde, portanto não sonhava em denominar o espaço, mas sim com sua criação e o crescimento do Horto Medicinal. “A gente batalhou para ter um espaço até que, através de um projeto, a gente conseguiu construir esse Horto. E a partir daí, a gente tem muitos projetos sociais, de extensão, com preparo e doação de mudas, palestras nas escolas”, conta Rosi. Ela comemora que a partir do projeto inicial, o Horto cresceu ainda mais, tornando-se um espaço consolidado de extensão e pesquisa.
“O trabalho que ela realizou aqui extrapola o limite da estrutura da Universidade e é anterior, inclusive, à criação da UEPG”, enalteceu o diretor do Setor de Ciências Biológicas e da Saúde, Gonçalo Cassins Moreira do Carmo. “Para todos que eu perguntei, a trajetória dela foi descrita como impecável. Que esse trabalho continue inspirando as novas gerações”.
Influenciar: esse é o verbo que Sinvaldo Baglie, pró-reitor de Assuntos Administrativos e professor do curso de Farmácia, utiliza para descrever a maior aptidão de Ivone Popinigis. “Uma professora já empoderada. Já bem formada, influenciadora e formando com alta qualidade nossos acadêmicos”, descreveu. “Que possamos utilizar esse dia em que homenageamos a professora Ivone como um marco de quem olha para dentro de casa e enxerga os seus como pessoas marcantes”. O pró-reitor enfatizou ainda o caráter inovador e a atualidade do projeto do Horto, que já nascia como um espaço de parcerias com a comunidade e arranjos de pesquisa.
“Essa honra é um gesto de amor que vai além das palavras”, descreveu o filho, Flávio Popinigis. “A denominação de Horto Medicinal Ivone Popinigis preservará a memória da nossa amada Ivone para as gerações futuras e será, sem dúvida, um marco de referência para a história da evolução da Universidade Estadual de Ponta Grossa, especialmente na contribuição significativa do curso de Farmácia para a formação de profissionais capacitados na área da saúde”.
O Horto Medicinal da UEPG recebe visitas individuais e de grupos. Para agendar uma visita guiada, é só entrar em contato por meio do telefone do Departamento de Ciências Farmacêuticas: (42) 3220-3120, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Também é possível fazer visitas auto-guiadas, com base nas placas informativas instaladas no local.
Texto e fotos: Aline Jasper