
Há 25 anos, Adrilson José Salgueiro Silva percorre as ruas de Porto Velho como gari da Prefeitura. Além dos serviços de limpeza urbana, o servidor coloca em prática uma habilidade que desenvolveu por conta própria: o trabalho artesanal. Conhecido pela facilidade em confeccionar peças e estruturas, ele agora participa da produção das ecobarreiras utilizadas pelo município para reter resíduos nos igarapés da capital.
Sem nunca ter feito um curso de artesanato, Adrilson aprendeu a trabalhar com diferentes materiais por meio da observação e da prática. “Eu sou muito curioso”, contou o servidor, que já participou da confecção dos paneiros utilizados no Pocket Park Paneiro. No Pocket Park Jacaré, produziu os moldes para a confecção das escamas da estrutura.
Agora, sua habilidade é aproveitada na montagem das ecobarreiras, produzidas com rede malhadeira, cordas e galões plásticos doados pela empresa Dydyo. Os galões garantem a flutuação, enquanto a rede retém parte do lixo transportado pela água.
“A ecobarreira me pediu, me orientaram e eu estou fazendo”, relatou Adrilson.
Com os materiais disponíveis, o servidor leva aproximadamente duas horas para concluir cada equipamento. A atividade é realizada nas dependências da Secretaria Executiva de Serviços Básicos (Sesb), vinculada à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). Além da produção das estruturas, Adrilson mantém sua rotina nas equipes de limpeza das ruas.
PRIMEIROS RESULTADOS

A primeira ecobarreira do projeto atual foi instalada no igarapé Belmont, na rua Silas Shockness, ao lado do Pocket Park Paneiro. A iniciativa foi desenvolvida por servidores da Sesb, em parceria com a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados e de Desenvolvimento do Município de Porto Velho (ARDPV), sob a coordenação do arquiteto e urbanista Alecsander de Souza.
Na primeira limpeza, realizada em outubro, as equipes municipais retiraram quase 50 quilos de resíduos acumulados na estrutura. Entre os materiais recolhidos estavam garrafas PET, encaminhadas à Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis Catanorte.
O resultado demonstra a função do equipamento, que concentra parte dos resíduos em um único ponto e facilita o recolhimento pelas equipes responsáveis pela manutenção dos canais. A estrutura também permite identificar os materiais descartados irregularmente e que acabam transportados pela água.
Para Adrilson, que conhece de perto os desafios da limpeza urbana, participar da iniciativa tem um significado especial: “Eu me sinto feliz em saber que estou contribuindo para a limpeza dos canais”.
O trabalho desenvolvido pelo servidor mostra como habilidades adquiridas fora de sua atividade profissional podem contribuir para a criação de soluções utilizadas nos serviços públicos. Além da produção das ecobarreiras, sua participação nos projetos dos pocket parks demonstra a aplicação desse conhecimento em diferentes espaços da cidade.

O prefeito Léo Moraes destacou a importância de iniciativas voltadas à preservação ambiental e ao reconhecimento dos profissionais que contribuem para o desenvolvimento de soluções para o município.
“Nosso compromisso é buscar soluções que contribuam para a preservação dos igarapés, a redução do descarte irregular de resíduos e a melhoria da qualidade de vida da população. Também valorizamos nossos servidores, que, com talento, dedicação e criatividade, ajudam a transformar a realidade da cidade”, afirmou Léo Moraes.
A utilização das ecobarreiras complementa os serviços de limpeza realizados nos canais, permitindo que parte do lixo seja recolhida antes de seguir pelo curso da água. A manutenção periódica dessas estruturas é necessária para evitar o acúmulo excessivo de materiais e preservar seu funcionamento.
Para o secretário executivo de Serviços Básicos, Giovanni Marini, a participação de Adrilson também evidencia a importância de reconhecer as habilidades dos profissionais que atuam na manutenção da cidade.
“A experiência do Adrilson mostra que nossos servidores têm muito a contribuir, inclusive com habilidades que vão além das funções que exercem diariamente. Ele conhece a realidade da limpeza urbana e agora participa diretamente da produção de estruturas que ajudam nesse trabalho. Nosso objetivo é aproveitar esse conhecimento, valorizar os profissionais e ampliar as soluções que contribuem para a limpeza dos canais da cidade”, comentou Giovanni.

A experiência iniciada no igarapé Belmont também servirá de referência para a ampliação do projeto. A próxima estrutura será instalada no igarapé do Botinha, no trecho entre o Parque da Cidade e o Porto Velho Shopping.
O local já passou por vistoria técnica para avaliar as condições de instalação, como largura, profundidade e acesso das equipes responsáveis pela manutenção.
A implantação de novas ecobarreiras integra as ações municipais de limpeza e conservação dos canais. Apesar de contribuírem para a retenção dos resíduos, os equipamentos não substituem o descarte correto do lixo, medida fundamental para evitar que esses materiais cheguem aos igarapés de Porto Velho.
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Texto:Renata Beccária
Fotos:Renata Beccária
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
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